Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 06/07/2019
A revolucionária década de 90 pode ser considerada transformadora por, dentre outras coisas, ter demonstrado a necessidade de debate de temas até então “proibidos”, como a sexualidade. Anos depois, países como o Brasil assistem a persistência de índices elevados de gravidez na adolescência, o que se deve a fatores como educação sexual e políticas públicas fragilizadas.
Quando Mary Neide Figueiró, aponta que menos de 20% dos alunos da rede pública têm acesso à educação sexual de qualidade desde o ensino fundamental, evidencia um dos motivos que contribuem para que o país tenha número maior de nascimentos entre jovens de 15 e 19 anos do que toda a América Latina. Ao contrário da realidade brasileira, a oferta de aulas sobre o tema, com professores treinados para abordá-lo, contribuiu para a redução do índice de gravidez precoce na Alemanha, onde a temática é matéria obrigatória em todas as fases escolares.
Além disso, uma vez grávidas, aquelas com poucos recursos financeiros ainda precisam lidar com um outro problema: a falta de assistência adequada em saúde nos períodos peri e pós-natal. As consequências desse fato podem ser sentidas não só no Brasil, mas em todas as Américas, que em 2014 contabilizaram a morte de quase duas mil jovens por problemas ocorridos antes, durante ou após o parto. É possível observar, assim, a ineficiência de políticas públicas de prevenção e cuidado para essa população.
Evidencia-se, portanto, que a gravidez na adolescência representa um problema grave no país. A fim de minimizar sua ocorrência na sociedade, o Ministério da Educação deve ampliar a oferta de educação sexual nas escolas do país, fornecendo também cursos de capacitação online aos docentes que ministrarão essas aulas, por meio de parcerias com as secretarias municipais e estaduais de ensino. Cabe, também, a elaboração conjunta de uma política nacional de saúde com estratégias voltadas tanto para prevenção quanto ao cuidado continuado às mães adolescentes, por meio de articulação entre as redes federal, estadual e municipal de saúde.