Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 05/07/2019
O desenvolvimento do setor midiático permitiu o crescimento do conteúdo erotizado, principalmente por meio de propagandas, e que está disponível para qualquer faixa etária. Essa grande acessibilidade à sexualização exacerbada gera o descompasso entre o amadurecimento físico e intelectual de adolescentes, o que propicia diversas consequências negativas, como a gravidez precoce. Essa mazela perpetua-se no Brasil devido ao alto índice de pobreza e à negligência governamental.
Em um primeiro plano, é possível perceber que a crescente pobreza intensifica a ocorrência de gravidez precoce. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alta taxa de natalidade entre adolescentes é mais presente em territórios com miséria mais acentuada. A partir dessa informação, verifica-se que em locais com maior escassez de recurso, o acesso a métodos contraceptivos é precário e, além disso, as jovens dessas regiões possuem baixa perspectiva de inserção no mercado de trabalho, o que propicia a escolha ao papel de mãe. Dessa forma, a carência financeira em determinadas localidades estimula a gestação juvenil no Brasil.
De forma análoga, vale destacar que a negligência governamental acentua a ocorrência de gravidez na adolescência. O economista britânico, Arthur Lewis, afirmou que a educação nunca foi despesa, mas um investimento com retorno garantido. Entretanto, em contradição com o profissional, o Governo brasileiro não aplica capital suficiente nas escolas, o que gera cidadãos pouco instruídos em diversos quesitos, principalmente no âmbito da educação sexual, que, por sua vez, possui uma importância reduzida no país. Consequentemente, ocorre a formação de indivíduos pouco conscientes sobre os métodos contraceptivos e a importância do seu uso. Sendo assim, a inadvertência do Estado perante o setor educacional propicia o aumento da taxa de natalidade juvenil.
Torna-se evidente, portanto, a importância de se combater a gravidez na adolescência no território brasileiro. Para isso, cabe ao Poder Legislativo, por meio da criação de políticas assistencialistas, realizar apoio à camada social marginalizada, com o objetivo de mitigar a pobreza. Além disso, urge que o Ministério da Educação realize medidas pedagógicas, por intermédio de mudanças na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que estimulem a educação sexual das escolas, a fim de aumentar o conhecimento acerca de métodos contraceptivos. Dessa forma, a sociedade brasileira tornar-se-á mais consciente e igual financeiramente, com o propósito de atenuar a taxa de natalidade juvenil existente no Brasil contemporâneo.