Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 15/07/2019

O seriado de televisão “Malhação” é conhecido por retratar situações comumente presenciadas pelos jovens brasileiros, a exemplo do enfoque de sua temporada mais recente: as dificuldades que sua protagonista adolescente enfrenta na criação de sua filha. No tocante a esse tema, a gravidez precoce pode ser destacada como um problema de saúde pública alarmante no Brasil, cujo elemento fomentador é, frequentemente, a escassa discussão sobre a problemática no ambiente familiar e escolar. Perante a isso, essa situação torna-se de importante análise e de urgente intervenção.

A priori, deve-se salientar que a gravidez na adolescência ainda é tratada como tabu pela sociedade contemporânea e, portanto, é pouco abordada por ela. Contrariamente a essa realidade, o filósofo Habermas afirma que é preciso buscar discussões nas quais questões morais sejam objeto de debates, com o objetivo de compartilhar suas implicações sociais e encontrar o assentimento dos afetados por elas. Mediante a isso, fica evidente que a falta de diálogo sustenta a propagação do problema e pode afetar a eficácia das ações mitigadoras já instituídas pelos órgãos de saúde, a exemplo das campanhas informativas, e das estratégias adotadas por outras organizações, como a escola.

Em segunda análise, ressalta-se o papel fundamental das instituições educacionais como agente transformador dessa realidade. Quando Lev Vygotsky aponta que a realidade escolar não devem se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como o da educação sexual serem desenvolvidos no ensino básico. Sob esse viés, discussões que envolvam a prevenção de gravidez indesejada e seus impactos sobre a qualidade de vida do indivíduo e de sua comunidade tornam-se imprescindíveis, pois, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o número de adolescentes grávidas diminui conforme aumenta o nível de escolaridade das mesmas.

Infere-se, portanto, como de suma importância às prefeituras municipais, com incentivo do Governo Federal e com parceria entre as secretarias de educação e assistência social, fortalecerem a disseminação de informações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam para a redução da gravidez na adolescência feitas por meio de atividades pedagógicas, como oficinas, palestras, rodas de conversa e troca de experiências. Tais ações também podem ter sua abrangência aumentada se envolvidas em atividades extracurriculares, fora do período escolar convencional, com o objetivo de envolver e beneficiar mais alunos, para que, enfim, se minimize as chances de mais jovens fazerem parte dessa preocupante estatística.