Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 06/07/2019

Com a consolidação cultural do ideal conservador, assuntos em torno da sexualidade tornaram-se socialmente omitidos no Brasil. Dessa forma, os níveis de consciência da juventude são bruscamente reduzidos pela negligência das instituições em sua devida educação, contribuindo para a desestruturação familiar.

Em primeira instância, há uma grande dificuldade de se implantar a educação sexual nas escolas. Consoante a Durkheim, sociólogo clássico, a escola é um estabelecimento essencial para a transmissão de valores e conhecimentos. No entanto, a rígida estrutura sexista e religiosa impede o processo de aprendizagem da responsabilidade necessária na inevitável vida sexual dos jovens. Logo, com a supressão da racionalidade em função das emoções, há consequências nefastas que precisam ser discutidas.

Ademais, a ideologia conservadora, que se posiciona em favor da família, corrobora para seu desgasto ao impedir a discussão da sexualidade. Uma vez que os pais não têm condições psicológicas, emocionais e financeiras de cuidar de uma criança, é comum que hajam erros na educação dela. Concomitantemente, os homens tendem a se aproveitar do ideal misógino perpetuado no Brasil para abandonar seus filhos. Assim, há um fenômeno que afeta quase 6 milhões de crianças que sequer tem o nome do pai na certidão de nascimento.

Portanto, é preciso reconhecer a vida sexual como componente natural da humanidade. Nesse sentido, é dever do Ministério da Educação, em união com o Ministério da Saúde, promover o ensino da sexualidade desde o Ensino Fundamental. Por intermédio de livros, aulas formais, palestras e materiais midiáticos, a ideia é contextualizar os colégios como um meio de aprendizado da vida, conforme conceituado por Durkheim. Consequentemente, é esperado que os adolescentes compreendam melhor e desfrutem de práticas sexuais mais saudáveis para, ao amadurecerem, planejarem, talvez, uma família devidamente organizada.