Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 06/07/2019
Na conjuntura contemporânea brasileira, a gravidez precoce deixou de representar um fenômeno normal de formação familiar, uma vez que as mulheres tiveram seus direitos ampliados e passaram a ter mais acesso à educação e ao mercado de trabalho. Dessa forma, a persistência dos altos índices de garotas grávidas traz à tona a discussão sobre como a omissão familiar e a falta de assimilação de informações retratam as causas dessa problemática.
Convém ressaltar, a princípio, a dificuldade de abordar sobre a gravidez precoce no ambiente doméstico devido o fato de muitos pais e responsáveis tratarem a sexualidade como tabu. Essa realidade evidencia uma visão distorcida do falar sobre sexo, pois muitos adultos atribuem essa conversa como uma maneira de impulsionar e adiantar o início da vida sexual dos jovens. Com isso, muitos adolescentes acabam influenciados por outras fontes de informação, como a pornografia e os programas de humor, que apenas banalizam e erotizam as relações sexuais e dificultam na formação educativa da importância do uso de métodos contraceptivos. Assim, essa tendência tende a gerar um ciclo de gerações omissas com a juventude e garotos e garotas se tornando pais mais cedo.
Além disso, é importante frisar que apesar do aumento significativo de canais de seguros de informações e da difusão facilitada dos métodos de prevenção, a alta taxa de garotas grávidas ainda persiste, uma vez que segundo dados do Ministério da Saúde, a cada 5 partos realizados, 1 é de meninas de 11 a 19 anos. Assim, os jovens, muitas vezes pautados no fato de acharem que uma gestação representa uma realidade distante, não absorvem e não colocam em prática os conhecimentos que os chegam. Dessa forma, a gravidez não planejada, consequência dessa negligência, pode comprometer o futuro dos envolvidos, visto que há uma maior probabilidade de ocasionar a evasão escolar e, derivado disso, a má formação profissional, o que os tornam suscetíveis a uma situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Portanto, fica evidente, que a gravidez precoce representa um problema social que deve ser discutido. Para tanto, cabe à escola em parceria com a família, por serem responsáveis pelo aprendizado e formação dos jovens, propor a discussão sobre a educação sexual, por meio de palestras e oficinas, no intuito de desmistificar o tema e possibilitar o diálogo entre pais e filhos. Ademais, é importante o papel do Ministério da Saúde em aprimorar as campanhas de incentivo ao uso de métodos contraceptivos através de recursos midiáticos, redes sociais e artistas que se aproximam com o cotidiano e cultura dos jovens, a fim de torná-los mais adeptos e familiarizados com os preservativos. Desse modo, poderá garantir uma juventude responsável e preparada para o futuro.