Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 08/07/2019
Sob a visão do antropólogo Roberto DaMatta, é imprescindível que a sociedade faça uma releitura do seu passado para vislumbrar uma melhor perspectiva de futuro. Todavia, a continuidade das altas taxas de gravidez na adolescência ao longo dos anos, no Brasil, demonstra a situação caótica de um país que parece ignorar a sua realidade social, mas, paradoxalmente, almeja atingir a posição de nação desenvolvida. Nesse contexto, o combate a essa problemática passa não só por um olhar mais crítico às desigualdades socioeconômicas, mas também pelo reforço educativo.
A princípio, a vulnerabilidade social configura-se como um dos fatores agravantes da gestação precoce. De acordo com uma pesquisa comparativa de 2005 à 2015 divulgada pelo Ministério da Saúde, o maior percentual de concepção imatura está presente entre menos abastada e quanto maior o tempo de estudo, menores são as chances da ocorrência desse problema social. Ocorre que, muitas vezes, esse público específico dispõe de um menor acesso à informação acerca dos métodos contraceptivos, seja pelos escassos projetos de educação sexual desenvolvidos pelo Estados, seja pelo fato da família, em boa parte, não ter o conhecimento sobre o assunto, o que dificulta a orientação dos jovens. Diante disso, é fundamentação a fomentação de ações educativas nesse âmbito.
De outra parte, destaca-se também o papel da escola nesse processo. A esse respeito, quando o filósofo Lev Vigotsky defende que a escola não deve se distanciar da vida social do aluno, corrobora a necessidade de eixos temáticos que contemplem aspectos, como a sexualidade responsável. Entretanto, as instituições de ensino, frequentemente pautadas em uma aprendizagem tecnicista, tendem a não abordar esse assunto, o que dificulta o seu engajamento social diante da elaboração de ações de prevenção à gravidez na adolescência. Por conseguinte, um reflexo negativo disso é o aumento da evasão escolar entre as meninas que tornam-se mães antes do tempo, de modo a dificultar a ascensão econômicas destas.
Urge, portanto, que a sociedade brasileira adote medidas para alteração desse cenário problemático. A fim de diminuir as estatísticas de gravidez precoce, é essencial conjunta entre as Secretarias de Saúde, com apoio do Ministério de Desenvolvimento Social e das Secretarias de Educação, para desenvolver programas regulares de educação sexual nas escolas, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social, por meio de palestras, oficinas e aconselhamento médico abertos aos pais e a toda comunidade, que busquem oferecer as informações acerca da prevenção da anticoncepção. Assim, com um visão crítica sobre esse problema, o Brasil poderá transformar a sua realidade e garantir um melhor perspectiva de futuro para a sua juventude.