Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 11/07/2019
No livro “Os donos do poder”,o sociólogo Raymundo Faoro descreve, com base nas teorias de Max Weber, como o legado patrimonialista -herança da colonização portuguesa- contribui de forma negativa na origem de impasses sociais. De maneira análoga, hoje Faoro perceberia acertada sua tese, em razão da gravidez na adolescência em evidência no Brasil, um quadro que reflete negativamente no âmbito social tanto pela negligência aos métodos preventivos quanto pela falta de fornecimento dos mesmos.Portanto, cabe avaliarmos os reflexos que comportam esse quadro.
No cenário atual que comporta a evolução tecnológica, a sociedade encontra-se anexada a uma posição de constantes transformações, inclusive,empenhada em acompanhá- las.Contudo,o mesmo não se vê quando se trata da gravidez na adolescência, que atrelado à negligência dos jovens acerca dos métodos contraceptivos, encontra espaço para sua inserção no corpo social.De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país tem número de casos de gestação precoce acima da média latino-americana, sendo 68,4 de crianças nascidas a cada mil meninas de 15 a 19 anos, um cenário que poderia estar longe do panorama brasileiro se as instituições de ensino abordassem não só sobre doenças sexualmente transmissíveis mas também sobre as várias possibilidades reais de se engravidar e como evitá-las e, por conseguinte, a construçao de um pensamento maduro.
Faz-se mister, ainda, salientar a falta de fornecimento de todos os métodos preventivos mais duradouros como outro fator agravante. Consoante o escritor Darcy Ribeiro, o Brasil,último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança que torna a nossa classe dominate enferma de desigualdade e descaso.Sob a óptica desse pensamento, é notório que a perpetuação do problema é intensificada por essa “enfermidade” que configura-se no descaso, visto que o mesmo implica no investimento que não é destinado a essa conjuntura pela nossa classe dominante, o que limita o acesso a outros tipos de prevenção, possibilitando o progresso do entrave.
Infere-se, portanto, que medidas sejam pensadas e postas em prática para o combate dessa atual problemática.Dessa maneira, urge que a esfera estadual,em parceria com o Ministério da educação (MEC) promova e financie projetos educativos destinados a esse panorama, por meio de palestras mensais em escolas com docentes que discorram sobre o assunto, com o fito de mitigar os casos de gestação precoce. Ademais, o estado deve investir nessa questão para que a população jovem tenha acesso a uma contracepção mais duradoura e variável. A partir dessas ações, apraz que um dos impasses originados, segundo Faoro e Darcy, pelo estado patrimonialista, seja eliminado da lista de problemas sociais do Brasil.