Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 07/07/2019
No Brasil, a taxa de gravidez na adolescência – caracterizada pela gestação entre o período de 10 a 20 anos – está acima da média dos países latino-americanos, e esse dado proveniente da Organização Mundial de Saúde torna necessária uma discussão sobre tal problema social. Dessa forma, é possível afirmar que o tabu histórico e a situação de marginalização do país são alguns dos responsáveis pelas preocupantes estatísticas do Brasil em relação à gravidez na adolescência.
A priori, há um impedimento histórico sobre assuntos relacionados a sexo nas famílias brasileiras. De acordo com Durkheim, fatos sociais são modos de agir, pensar e sentir impostos pela sociedade sobre os indivíduos e, de maneira análoga ao pensamento do sociólogo, durante o período colonial, que perdurou por cerca de três séculos, o cristianismo foi o principal fato social atuante em nossa sociedade, ou seja, a Igreja e seus dogmas foram e são responsáveis por muitas das crenças atuais dos cidadãos brasileiros. Desse modo, assuntos relacionados às consequências de atos sexuais não são discutidos entre pais e filhas, o que gera jovens desinformadas sobre métodos contraceptivos, que evitam falar sobre suas experiências e dúvidas com seus familiares, pois temem represálias e julgamentos, e, logo, mais vulneráveis a realizarem o ato sexual sem tomar as devidas precauções.
Ademais, a situação de extrema desigualdade no nosso país também é fator que favorece o crescimento dessa vicissitude. Conforme afirmou Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”, e, em concordância com a análise do filósofo, jovens que nascem e crescem em um ambiente de marginalidade, com um ínfimo acesso à educação de qualidade e, portanto, desinformados sobre métodos contraceptivos, estão mais propensas a engravidar mais precocemente e, assim, a aumentar as já elevadas estatísticas de gravidezes na adolescência do Brasil. Além disso, uma vez que a gravidez na adolescência traz sérios riscos tanto para a mãe quanto para a criança, jovens segregadas do acesso à saúde de qualidade estão em sério risco, pois são mais propensas a ter hipertensão e anemia sem ter um bom amparo para amenizar estas consequências.
Portanto, medidas são necessárias para combater o impasse. Urge que o Ministério da Saúde forneça subsídios para que os postos de saúde municipais possam exibir campanhas publicitárias que informem sobre os riscos da gravidez na adolescência e divulguem métodos contraceptivos e como consegui-los, além de incentivar a discussão sobre o assunto no meio familiar, nos canais de televisão aberta, nas estações de rádio e nas mídias sociais, a fim de que jovens de todas as classes sociais possam se informar sobre as consequências da falta de precaução na hora de realizar atos sexuais.