Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 13/07/2019

O filme Juno, lançado em 2007, retrata alguns conflitos internos, quando a personagem tenta tomar decisões maduras, e externos, como a discriminação, vividos por adolescentes grávidas. Contudo, a realidade brasileira de jovens que engravidam precocemente se torna ainda mais agravante por encontrar um arranjo socioeconômico, político e até mesmo humanístico, extremamente desfavorável.

Em primeira análise, ressalta-se que o díspar aspecto socioeconômico brasileiro gera altos índices de gestações precoces, uma vez que grande parte das jovens são de baixa renda. Sendo assim, o Brasil apresenta médias de 68,4 adolescentes grávidas, enquanto nos Estados Unidos o índice é de 22,3, segundo relatório da Organização Mundial de Saúde de 2018, o que evidencia um grave problema de saúde pública, além de um deficitário sistema educacional. Importante frisar, ainda, que o impacto social e econômico não está apenas na ausência de serviços públicos, mas também na dificuldade para encontrar emprego devido a baixa qualificação profissional, o que se associa à geração de maior pobreza.

Outrossim, os fatores políticos interferem sobremaneira em uma abordagem humanística das problemáticas sociais, na medida em que vale mais concentrar esforços para expandir a fronteira agropecuária do que distribuir serviços básicos dignos à população pobre. Assim, aqueles que outrora não possuíam renda para comprar uma terra, hoje engrossam a fila dos marginalizados e zoomorfizados. Com isso, 4262 adolescentes de 10 a 19 anos tiveram uma gestação indesejada e precoce resultante de estupro, de 2011 a 2016, conforme o Ministério da Saúde, em consequência da elevada vulnerabilidade social, gerando riscos de morte materno infantil, aumento de doenças sexualmente transmissíveis e abortos.

Evidenciam-se, portanto, inúmeras causas e prejuízos da gravidez na adolescência no contexto brasileiro. Para que ocorra uma abordagem contundente a essa problemática, urge a necessidade de melhor integração entre os ministérios, as secretarias e as entidades sociais - postos de saúde, escolas, centros comunitários - por meio rodas de conversas, palestras, uso de filmes - como Juno ou Preciosa - que retratem as realidades/dificuldades da gravidez precoce, orientado por profissionais da saúde, da educação, do meio jurídico, além de organizações engajadas socialmente que esclareçam a sociedade sobre a busca de seus direitos e a melhor forma de fazê-los.