Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2019

Isobel Stevens, personagem da série Grey’s Anatomy, teve uma filha aos 16 anos e a colocou para a adoção por querer uma vida melhor para a criança do que a que ela poderia oferecer sendo tão jovem. Nesse sentido, fora das telas, o cenário é bastante recorrente no Brasil, o tabu de se falar de sexo expõe o jovem à experimentação impulsiva e sem preservativo. Ademais, grande parcela da população jovem ignora a existência de métodos contraceptivos ou, conhece-os, mas não os adota.

Nota-se que as famílias devem explorar mais o debate sobre sexualidade para deter o tabu e suas consequências. Consoante a Modernidade Líquida de Bauman- sociólogo polonês- após o surgimento de novas tecnologias, as relações humanas tornaram-se mais frágeis; assim, há uma constante terceirização da educação dos filhos, que é falha quanto à transmissão de valores, não ensina que a vida sexual exige responsabilidades, e que a falta destas traz prejuízos, o que, por consequência, resulta em um maior número de jovens que adquirem conhecimento sobre o sexo na prática, expondo-se a DSTs e à gravidez precoce. Urge, portanto, a necessidade de levar a educação sexual para as escolas, pois é preciso alertar os adolescentes e sanar suas dúvidas.

Outrossim, a imaturidade psicoemocional, característica da adolescência, faz com que os adolescentes não recorram aos métodos contraceptivos, apesar já terem ouvido falar sobre eles. De acordo com o Senso de Conservação, até os 21 anos, em função do não desenvolvimento pleno do lobo pré-frontal, o indivíduo -apesar de reconhecer o perigo de uma ação- não possui a trava neurológica que o impediria de agir. Com isso, o adolescente é mais impulsivo e propenso a expor-se. Em estudo realizado pela Sociedade Civil Bem-Estar Familiar no Brasil em 1996 a respeito do comportamento reprodutivo dos jovens brasileiros, a totalidade dos inquiridos “conhecia” algum tipo de método contraceptivo e a maioria já havia utilizado algum deles pelo menos uma vez. Porém o “nível de conhecimento” estava relacionado com o simples “ter ouvido falar” sem detalhar questões acerca da utilização adequada.

Destarte, é indiscutível que medidas são necessárias para solucionar o problema. Cabe ao Ministério da Educação a promoção de palestras com especialistas em sexualidade juvenil, em escolas de nível médio e de debates que incluem e instruem a família sobre a importância da responsabilidade sexual, a fim de que assim os conhecimentos necessários para o início da vida sexual sejam ofertadas aos jovens e o tabu social sobre sexualidade possa ser quebrado. O Ministério da Saúde deve promover assistência sobre a utilização adequada dos métodos contraceptivos com profissionais da saúde, em postos de saúde e nas escolas, para que o adolescente saiba a quem recorrer quando for necessário.