Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2019

Gestação precoce: um alerta

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil possui taxa de gravidez na adolescência acima da média latino-americana. Trata-se de uma grave constatação que cria uma necessidade urgente de debate acerca da problemática que pode possuir diversas causas, contudo as consequências sempre são semelhantes e expressivas na vida das pessoas relacionadas à questão. Além disso, outra urgência exposta é a imprescindibilidade de agir para contornar esse cenário.

A princípio, é importante notar que existem diversos fatores associados à gravidez precoce. Apesar de existir casos em que a gravidez é pretendida, esses são minoria. Um dos principais elementos que influenciam na gravidez indesejada é a desestruturação familiar. Muitas jovens não possuem um suporte familiar, não recebem educação sexual nem dos pais e nem da escola e dessa forma não possuem conhecimento sobre a vida sexual e nem sobre o uso de preservativos. Vale ressaltar casos mais sérios, nas quais a gravidez ocorre por conta de violência sexual. É válido lembrar que a prática de relações sexuais com crianças e adolescentes com idades inferiores a 14 anos é crime caracterizado como estupro de vulnerável.

Embora possam existir diferentes causas para a gravidez no início da vida reprodutiva, é de fácil análise que as repercussões são problemáticas nas vidas dessas pessoas. Primeiramente, essas consequências tornam-se visíveis na própria gestação, pois quanto mais jovem for a mãe, maiores os riscos que ela e o bebê sofrem, dentre eles, nascimento prematuro, aborto natural e mortalidade materna. Ademais, outras decorrências da gravidez na adolescência estão associadas à vida da mãe, que, para cuidar de seu filho, abandona os estudos. Desse modo, ocorre uma manutenção de uma estrutura socioeconômica, já que muitas dessas mães não apresentam boas condições financeiras, algumas precisando ainda superar o abandono paterno, que não é raro nos casos de gravidez precoce.

Portanto, a gravidez na adolescência requer uma atenção redobrada no país, tendo em conta que essa tema envolve questões socioeconômicas e de saúde. A fim de diminuir cada vez mais as taxas de gravidez precoce, é essencial que o Estado invista em programas que garantam o acesso de jovens à educação sexual, seja em oficinas de escolas ou até mesmo em portais virtuais, visto que a presença dos adolescentes na internet é cada vez maior. Cabe citar ainda que é indispensável a presença da família no aconselhamento sobre a vida sexual e também no acolhimento das mães que engravidaram cedo, se for o caso. Por fim, é fundamental que jovens e adolescentes sejam emponderados em relação às suas escolhas da vida sexual, porém eles precisam ser ensinados e conscientizados antes.