Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/07/2019
No livro “Clara dos Anjos” de Lima Barreto, é retratado a história de Clara dos Anjos que, muito nova, acaba grávida e abandonada. Décadas depois da publicação do romance, essa continua sendo a realidade de muitas jovens no Brasil, caracterizando o país com uma das mais altas taxas de natalidade na adolescência. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os principais fatores que fomentam esse quadro e suas consequências.
Primeiramente, é importante ressaltar que a falta de informação e instrução ainda são fatores relevantes para essa problemática. Segundo o Ministério da Saúde, os casos desse tipo de gravidez diminuem à medida que a escolaridade aumenta, ou seja, esse dado está diretamente ligado ao conhecimento, principalmente da medicina preventiva, a qual camadas mais pobres não tem acesso fácil. Desse modo, garotas de áreas rurais ou isoladas são mais fáceis de entrar nessas estatísticas.
Faz-se essencial, ainda, salientar a alta evasão escolar relacionada à gestação precoce. De acordo com levantamento feito pelo Movimento Todos pela Educação, 75% das jovens que são mães estão fora da escola. Verdadeiramente, é precário o apoio do Estado frente à esse cenário, criando assim uma enorme barreira entre o problema e a solução.
Pode-se perceber, portanto, uma necessidade de impactos diretos em planos educacionais e sociais, A fim de reduzir gradativamente a maternidade precoce e seus impactos, o Ministério da Saúde ,em parceria com as secretarias de saúde e da mulher, deve criar um programa de apoio e prevenção da gravidez na adolescência. Esses esforços podem ser realizados por meio de visitas domiciliares de ginecologistas em zonas mais vulneráveis para eficaz educação sexual, bem como suporte psicológico e financeiros a essas jovens. Dessa maneira, a personagem de Lima Barreto deixaria de ser uma representação social atual, e passaria a ser um retrógrado quando comparado com a realidade.