Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/07/2019
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua concepção de modernidade interligada, “o homem é responsável pelo outro, seja de modo explícito ou não”. Ademais, infelizmente essa ideia não se concretiza no atual cenário brasileiro, pois tem sido evidente o descaso social e político em relação à gravidez na adolescência. Dessa maneira, convém analisar como as negligências parentais, bem como a inacessibilidade às informações sobre contraceptivos, corroboram para o impasse.
A princípio, é preciso entender que com o advento da Revolução Industrial e a modificação social que ela trouxe, as famílias perderam parte do tempo que antes era destinado ao núcleo familiar. E sendo essa instituição a responsável pela educação moral dos jovens, é inegável que essas transformações causam grandes consequências para a sociedade. Em suma, a constante terceirização da educação dos filhos, que é falha quanto à transmissão de valores, não ensina que a vida sexual exige responsabilidades, e que a falta destas traz prejuízos, o que, por consequência, resulta em um maior número de jovens que adquirem conhecimento sobre o sexo na prática, expondo-se à gravidez precoce.
Outrossim, observa-se que as taxas de gravidez na adolescência continuam subindo apesar de já haver distribuição nos postos de Saúde de pelo menos 4 diferentes tipos de métodos contraceptivos, como por exemplo: a camisinha, a pílula anticoncepcional, o DIU e o diagrama. Isso ocorre pela falta de acesso a essas informações, que, por não serem divulgadas de maneira efetiva entre os jovens, acabam sendo negligenciadas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura governamental para que ocorram melhorias.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater a negligência parental e a inacessibilidade de informações sobre contraceptivos. Para tanto, cabe ao MEC a promoção de palestras com especialistas em sexualidade juvenil, em escolas de nível médio e de debates que incluem e instruem a família sobre a importância da responsabilidade sexual, para que assim os conhecimentos necessários para um possível início da vida sexual sejam passados aos jovens. Além disso, o Ministério da Saúde deve realizar campanhas midiáticas sobre os métodos contraceptivos que são ofertados nas redes públicas de saúde, como vídeos informativos por meio da internet, a fim de gerar conhecimento acerca da disponibilidade desses anticoncepcionais. Diante disso, tal perspectiva se alinhará ao proposto por Bauman e será possível transmitir aos adolescentes as informações necessárias para evitar a gravidez precoce.