Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 08/07/2019
O sociólogo Émile Durkheim definia ‘‘Fato Social’’ como um fenômeno característico de uma sociedade e defendia que a fuga a esse paradigma representa uma anomia. Tal incoerência tem ocorrido no Brasil quando analisado o número de adolescentes grávidas, indiretamente vitimizadas pela configuração social vigente e que estão sujeitas a sérias consequências.
Primeiramente, é possível inferir que a estrutura sociocultural na qual muitos jovens brasileiros estão inseridos permite a ocorrência de casos de gravidez indesejada. Fruto de uma cultura marcada historicamente pelo moralismo religioso, setores como a família e a escola raramente preveem aos menores uma educação sexual básica, essencial na vida dessa parcela que, naturalmente, busca por novas experiências, as quais não têm sido acompanhadas pela consciência acerca do corpo e de métodos contraceptivos. Assim, na ausência do Estado, provedor, segundo os Contratualistas do século XVIII, dos direitos civis, entre os quais a educação inclui-se, esse problema não é devidamente combatido.
Além disso, cabe destacar os possíveis danos tanto à mãe quanto ao filho. Por ser o parto um procedimento de risco ainda maior nessa idade, ocorrem muitas mortes de jovens e seus bebês,sendo essa uma das principais causas da mortalidade infanto-juvenil, conforme a OMS. Ademais, na maioria dos casos, ocorre a evasão escolar, fato que corrobora a manutenção de realidades socioeconômicas já difíceis, tendo em vista que, segundo dados do IBGE, a problemática atinge majoritariamente as regiões mais pobres do país, configurando a falta de perspectivas futuras e a perda de potencialidades.
É necessário, portanto, que a funesta realidade social hodierna seja mudada e as consequências da gravidez na adolescência, evitadas. A fim de minimizar a ignorância quanto à sexualidade humana, o Ministério da Saúde, aliado às Secretarias Municipais, deve iniciar uma campanha nacional semestral de esclarecimento, por meio da criação de feiras em locais públicos e promoção de palestras com profissionais da saúde como médicos e psicólogos, os quais tratarão de temáticas relativas ao uso de contraceptivos e anticoncepcionais, assim como ao diálogo jovem-família. Dessa forma, o combate a essa anomia social se materializará na sociedade brasileira.