Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/07/2019
Segundo relatório publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a taxa de gravidez na adolescência no Brasil suplanta em 14% a taxa mundial. Contudo, associa-se que a causa das altas taxas está relacionada com a falta de informação, quando, na realidade, a falta de empoderamento feminino e o preconceito em promover a discussão acerca da sexualidade nas escolas e nas famílias são os responsáveis pelas altas taxas.
De acordo com a socióloga Hannah Arendt, quando uma atitude ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Análogo à isso, a conformidade da jovem em ter relações sexuais sem preservativo, devido ao receio da rejeição pelo parceiro, faz com que essa atitude submissiva seja vista como correta. Entretanto, muita das vezes, a resultante dessa falta de empoderamento é a gravidez precoce que compromete não só a vida, mas o desenvolvimento psicossocial da jovem.
Outrossim, o preconceito em discutir a sexualidade nas escolas e nas famílias é um agravante da problemática. Segundo o filósofo iluminista Voltaire, preconceito é opinião sem conhecimento. Com isso, a analogia indevida em associar educação sexual com aumento de atividades sexuais pelos adolescentes acaba dificultando a difusão da educação em relação ao assunto. Ademais, a falta de habilidade dos jovens em lidar com a informação sobre os métodos contraceptivos é fator decorrente do tabu em relação ao tema.
Destarte, para que haja maior empoderamento feminino, promoção da discussão acerca da sexualidade e redução da gravidez na adolescência, medidas fazem-se necessárias. Assim, cabe ao MEC, junto ao Ministério da Saúde, promover nas escolas, com auxílio de agentes de saúde e educadores, oficinas com técnicas pedagógicas, como a dramatização, a fim de empoderar as meninas e evidenciar a importância do sexo seguro. Atrelado a isso, promover diálogos com os jovens e as famílias acerca da sexualidade e do bom uso dos métodos contraceptivos é fundamental.