Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2019

Segundo o historiador Philippe Ariès, na Idade Média, o sentimento de infância não existia. Nesse período, ao mínimo sinal de independência da criança, esta passava a integrar o mundo dos adultos e a arcar com responsabilidades. Na contemporaneidade, muitos avanços foram feitos no que tange à proteção da fase infantojuvenil, entretanto, em países como o Brasil, considerados subdesenvolvidos, os índices de gravidez na adolescência atingem elevados níveis, em decorrência da desinformação e da falta de perspectiva ocasionada pelas desigualdades sociais, o que precisa ser mudado.

Em primeira análise, é necessário destacar que países europeus, em sua maioria, realizam campanhas de incentivo à natalidade, devido ao envelhecimento da população economicamente ativa, um resultado do planejamento familiar e da inserção da mulher no mercado de trabalho. Em contrapartida, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil, apesar de também passar por mudanças em sua pirâmide etária, apresenta altos índices de gravidez entre adolescentes, parcela da população que deveria estar na escola, em preparação. Sob essa perspectiva, é notório que tal problemática acomete, destacadamente, a camada mais pobre da sociedade, o que demonstra a deficiência do Estado em prover um ensino público de qualidade que aborde a Educação Sexual. Dessa maneira, mediante a inegável hesitação construída acerca do debate sexual entre jovens, é construído um ciclo de desinformação e miséria entre determinada parcela da população, amenizado por programas como o Trevo de Quatro Folhas, no Ceará.

Segundamente, é inegável que a concentração de renda e as disparidades regionais existentes no País, desde a sua colonização, constrói enormes disparidades no território. Cita-se, por exemplo, o contraste entre o interior do Sul brasileiro e o sertão nordestino, este último possuidor de altos índices de analfabetismo e, consequentemente, um deficiente planejamento familiar. Assim, é inegável a falta de perspectiva de ascensão de jovens que veem como único caminho a seguir a constituição precoce de uma família e o trabalho para complementar a renda. Desse modo, fica nítida a relação entre os problemas de distribuição de renda e as mazelas sociais como a gravidez na adolescência.

Portanto, urge que o Governo realize um levantamento das áreas brasileiras com os maiores índices de gravidez na adolescência e promova, por meio de uma aliança com os profissionais de saúde da região, palestras nas escolas e postos de saúde, de modo dinâmico e com linguagem simples, a fim de conscientizar os jovens acerca das consequências e como prevenir uma gravidez não desejada. Por fim, é imprescindível que as prefeituras municipais, mediante o apoio Estatal, criem programas de assistência às jovens mães carentes, com o fito de sanar desigualdades históricas.