Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 08/07/2019

O filme “Juno” demonstra as dificuldades psicológicas que uma adolescente enfrenta com a gravidez precoce. No decorrer da trama, ela, por não ter condições de encarar a maternidade e criar uma criança, decide doar o bebê para adoção. Longe da ficção, mas com realidade semelhante, a gravidez na adolescência é um problema que afeta principalmente a população em condição de vulnerabilidade. Com efeito, deve-se analisar como a omissão familiar e escolar influenciam na questão.

Em primeiro plano, evidencia-se que, pelo tema ser um tabu social, a falta de diálogo entre pais e filhos sobre a prática sexual agrava a situação. Pierre Bourdieu - na teoria “Habitus” - acreditava que a sociedade incorpora padrões sociais impostos e os reproduzem ao longo das gerações. Nessa lógica, colonizadores do Brasil, juntamente com a Igreja Católica, tratavam o sexo antes do casamento como pecado e, dessa maneira, um assunto a ser evitado. Como os progenitores reproduzem essa falta de diálogo do passado, os filhos passam por experiências sexuais sem a devida orientação parental, acarretando, muitas vezes, na gestação prematura.

Outrossim, a negligência informacional potencializa o número de gravidez precoce nos jovens. Paulo Freire - pedagogo brasileiro - acreditava que a escola não deve apenas reproduzir conteúdos, mas, também, servir como agente conscientizador para preparar o aluno para os desafios da vida. No tocante da gravidez, por não seguir o modelo freiriano, a escola apenas trata o tema cientificamente e, consequentemente, não aborda as implicações sociais e métodos de prevenção da gravidez. Nesse contexto, a gestação antecipada acontece, principalmente, em grupos com menor acesso à educação, expondo, por exemplo, o grande desafio da problemática: a falta de informação.

Urge, portanto, ações para mitigar o impasse. O Ministério dos Direitos Humanos deve promover, por meio das mídias sociais, campanhas publicitárias sobre a importância do diálogo paternal em relação à prática sexual dos filhos. A medida atenuaria o tabu e direcionaria devidamente os pais na orientação sexual dos seus descendentes. O Ministério da Educação, por sua vez, deve promover, através da incorporação obrigatória da temática nas aulas de biologia e sociologia, o ensino sexual nas escolas. Essa ação mostraria os impactos sociais e biológicos para os jovens e os direcionaria com as informações necessárias para evitar a gravidez precoce.