Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 14/07/2019
Na Antiguidade, o casamento infantil e a gravidez na adolescência eram práticas do cotidiano de boa parte da sociedade, uma vez que a expectativa de vida da mesma não ultrapassava os 40 anos. Acresce que, mais de 1500 anos após o fim desse período, o número de gestantes entre 10 e 19 anos mostra-se ainda desmesurado. Posto que os indivíduos contemporâneos tendem a viver duas vezes mais que os povos antigos, torna-se necessário analisar as justificativas que compõe esse cenário negligenciado e perpetuado pela sociedade.
Em primeira análise, é válido reconhecer a falta de educação popular como um fator determinante para a permanência desse quadro. No contexto brasileiro, tal realidade advém dos baixos investimentos destinados ao setor educacional na sua íntegra, sendo ainda, a educação sexual ainda mais prejudicada, ao passo que parte da sociedade tem crenças equivocadas à seu respeito. Quando o filósofo chinês Confúcio afirma “Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros”, ratifica a necessidade de informar os cidadãos, com clareza, o propósito e a importância das aulas acerca de sexualidade, a fim de que compreendam como essa orientação e, uma consequente maior escolaridade, pode contribuir potencialmente para a diminuição dos casos de gravidez na adolescência.
Ademais, outro fator a salientar é a omissão social perante essa preocupante estatística. Na atual conjuntura, esse cenário é construído pelos dogmas religiosos impostos no Brasil ainda no Período Colonial e, até então, enraizado na sociedade do século XXI. Essa vertente potencializa a falta de discussões abordando a questão do sexo, não só em casa, mas também nas escolas, que veem o assunto como um tabu. Por conseguinte, nota-se que essa desinformação torna os jovens suscetíveis a acreditarem em quaisquer informações às quais tem acesso, colocando tanto sua saúde quanto sua vida profissional em risco. Dessa forma, a manutenção dessas crenças mostra-se prejudicial ao combate da realidade, sendo também controversa, ao passo que com a inserção de debates acerca de relações sexuais na sociedade, a ocorrência de gestantes com pouca idade tenderia a diminuir.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar essa problemática. Para tanto, cabe ao Estado regulamentar projetos de acompanhamento escolar por meio das prefeituras, integradas às secretarias de assistência social, saúde e esporte, oferecendo todo um aparato como atividades pedagógicas, oficinas e palestras orientando estudantes e suas famílias acerca da educação sexual. Desse modo, essa postura objetiva a conscientização da sociedade sobre a importância e necessidade de se debater temas tão influentes como esse, o que diminuirá a quantidade de gestações adolescentes. Assim, de acordo com o pensamento de Confúcio, corrigindo nossas falhas para não cometermos novos erros.