Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/07/2019
No filme “Preciosa”, a protagonista adolescente abandona o ensino regular após descobrir-se grávida pela segunda vez. Não restrita somente à ficção, tal situação é facilmente encontrada no contexto brasileiro, uma vez que, segundo a OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), em média há 68 grávidas a cada mil jovens entre 15 e 19 anos no país. Nessa conjuntura, para minimizar esse número, cabe analisar os pretextos que o provocam, dentre eles a pouca discussão da educação sexual no âmbito educacional e a “tabutização” dessa prática.
Em princípio, é importante compreender como discutir sobre a educação sexual nas escolas seria benéfico para a efetiva superação desse problema. Sob esse raciocínio, para o filósofo Lev Vygotsky, o ensino básico não deve se distanciar dos aspectos da vida social. Assim, faz-se necessário o debate da educação sexual nas salas de aulas brasileiras, principalmente quando, ainda de acordo com a OPAS, a abordagem desse assunto faz com que os jovens tenham mais responsabilidade quanto ao uso de preservativos e, consequentemente, à precautela de uma gravidez indesejada. Em contraste, ações pedagógicas com a finalidade de trazer essa temática para o meio estudantil são timidamente desenvolvidas no meio estudantil. Logo, ao não falar sobre, forma-se a desinformação e isso dificulta a prevenção da gravidez entre as menores de idade.
Outrossim, é notório como a educação sexual nas escolas é um tabu. Dentro dessa lógica, recentemente no país instalou-se uma onda conservadora, que atinge sobretudo os pais e responsáveis dos jovens. Nesse sentido, pesquisas do Datafolha mostram que 46% dos brasileiros acham que sexualidade e questões relacionadas a ela — como a gravidez e o sexo seguro — devem ficar fora do currículo educacional. Tais dados mostram que há uma hesitação a esse tipo de ensino, o que impede a sua práxis no ambiente escolar
Infere-se, portanto, que raízes dificultam a inserção da educação sexual nas escolas e isso afeta negativamente a prevenção da gravidez precoce. Para esse efeito, é preciso que, em primeiro lugar, o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Saúde, insira o tema na Base Nacional Comum Curricular, para que os jovens tenham consciência das consequências da gravidez indesejada e saibam precavê-la. Além disso, para que os pais e responsáveis apoiem a iniciativa, as secretarias estaduais e municipais, em parceria com a mídia, devem vincular campanhas socioeducativas que mostrem os pontos positivos do ensino da educação sexual nas escolas, sem ilegitimá-la. Desse modo, poderá ser reduzido o número de jovens grávidas no país e tal situação permanecerá apenas na ficção.