Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 18/09/2019

Nova York, 1987. É nesse contexto que a jovem de 16 anos Clarece “Preciosa"Jones, enfrenta uma série de dificuldades, entre elas a gravidez de seu segundo filho. Fora da ficção, é fato que a realidade de Preciosa pode ser relacionada ao Brasil contemporâneo, onde observa -se a ascensão alarmante dos casos de gravidez na adolescência. Entre os entraves que corroboram para esse cenário, está o fato do sexo ser visto como um tabu e a omissão das escolas em seu papel de instruir os jovens. Nesse sentido, torna- se necessária uma análise crítica acerca da questão.

Inicialmente, cabe destacar que o fato de temas de cunho sexual serem vistos como tabu, contribui para esses quadro. Segundo o sociólogo francês Pierre Boudieu, a família é um pilar essencial para formar o indivíduo. Entretanto, infelizmente as famílias brasileiras encontram dificuldades para discutir sobre o tema, o que por sua vez tem como consequência jovens que se sentem intimidados e por isso, preferem não questionar sobre o assunto, optando por aprender na prática, o que torna o cenário ainda mais preocupante, tendo  em vista as altas chances de contrair doenças sexualmente transmissíveis, bem como uma gestação precoce.

Ademais, observa-se a omissão educacional por parte do Estado como uma das causas da problemática. A falta de educação sexual é realidade entre os jovens brasileiros, prova disso, são os dados divulgados pelo Instituto Caixa Seguros, os quais revelam que 30% dos jovens do país  acreditam que o coito interrompido é um método contraceptivo eficaz. O culpado por esse quadro, é o próprio país, que não fornece nas escolas os esclarecimentos necessários sobre o tema.

Fica claro, portanto, a necessidade de intervenção Estatal. Para a conscientização da população brasileira a respeito da importância da discussão  sobre o assunto, urge que o Ministério da Educação(MEC) em parceria com os setores midiáticos, por meio de verbas governamentais, financie projetos de educação sexual, que incluam propagandas televisivas e entrevistas em jornais. Ademais, o MEC deve incluir na grade comum curricular das escolas brasileiras, aulas ministradas por especialistas no tema, o intuito de tal medida seria instruir os jovens brasileiros sobre a prática de sexo de forma segura, amenizando assim o quadro atual. Dessa forma poderemos deixar os percalços da gravidez precoce nos filmes do século XXI.