Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 11/07/2019
No filme “Preciosa” é retratada a história de Claireese “Preciosa” Jones, uma garota de apenas 16 anos, que está grávida pela segunda vez do seu próprio pai. Porém, Preciosa vê a chance de mudar de vida quando é transferida para uma escola alternativa, onde contará com o apoio de sua professora. Saindo do universo cinematográfico e partindo para uma análise no contexto “real”, histórias como a de Preciosa são várias e mostra as dificuldades que muitas adolescentes grávidas enfrentam no dia a dia, sendo muitas vezes vítimas de preconceito por parte da sociedade. Nesse sentido, é imprescindível discutir sobre tal problemática e esclarecer as causas e consequências da gravidez na adolescência.
Analisa-se, de início, que um dos principais fatores para a manutenção de tal realidade residem na falta de abordagem sobre os métodos contraceptivos, acarretando em uma série de problemas, sendo um deles a gravidez. É notório que na maioria das escolas brasileiras a discussão sobre o tema é praticamente nula, muitos alunos apenas escutam falar sobre o assunto em matérias como biologia e ainda de forma superficial. Porém, é nesta fase que o adolescente precisa saber dos riscos que pode ocorrer ao realizar o ato sexual desprotegido e a gravidade do problema que tal ação pode acarretar. Prova disso, é que segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a maioria das adolescentes grávidas, não possuem visão de mundo da responsabilidade que é “estar grávida”.
Pontua-se, ainda, que tal problemática provoca, consequentemente, em uma elevada evasão escolar, pois diante da fragilidade emocional e muitas vezes social e econômica, a maioria das adolescentes abandonam seus estudos e vão em busca de um trabalho informal, que possa ajudá-las em sua nova vida. Dessa maneira, há um crescente quadro de meninas que não concluíram seus estudos e que veem seus sonhos acabarem, gerando, assim, futuras mães desestruturadas tanto emocionalmente quanto financeiramente. Tal fato atinge toda a população, pois os alicerces da sociedade são gerados pela educação básica e quando há um desvio nesse cenário, o problema passa a ser do corpo social.
Compreende-se, portanto, que ações devem ser feitas em prol de uma adolescência livre de quaisquer transtornos. Assim, urge que o Ministério da Saúde em parceria com o MEC, realize campanhas com foco na prevenção e orientação sexual nas escolas e institutos, tendo em vista a grande parcela de jovens inseridas em tal contexto. Outro fator coadjuvante é que as escolas tenham uma maior flexibilização com relação a grade curricular das adolescentes mães, possibilitando que assistam aulas em turnos mistos ou como forem melhor para cada uma. Sendo necessário, também, um suporte psicológico para que elas não desistam dos estudos e consigam o que almejam, através de seus esforços.Dessa maneira, o filme “Preciosa” será não apenas uma história de luta, mas de superação.