Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 26/07/2019

No filme “Juno” é retratada a trajetória de uma adolescente de 16 anos que enfrenta uma gravidez não planejada após uma única relação sexual com um amigo de escola. De forma análoga a tal obra cinematográfica, pode-se destacar uma das problemáticas que, progressivamente, torna-se evidente que é a gravidez na adolescência. Fenômeno que interfere tanto na qualidade de vida quanto na formação psicossocial dos jovens envolvidos. Diante disso, compreender o contexto em vigor e as consequências geradas pelo mesmo período faz-se fundamental para a promoção de mudanças sociais.

Assim, a princípio, pode-se dizer que o debate sobre a gravidez na adolescência ainda, nos dias atuais, constitui-se como um tabu, em especial, no Brasil, o que ressalta o cenário alarmante de casos que ocorrem no país e a ausência de medidas por parte do governo. Prova disso, é o índice brasileiro estar acima da média latino-americana, estimada em 65,5 bebês nascidos a cada mil meninas de 15 a 19 anos, segundo um relatório da Organização Mundial da Saúde. Não obstante, um estudo da Fundação Abrinq mostrou que quase 30% das mães adolescentes, com até 19 anos, não concluíram o ensino fundamental, o que ressalta o grande impacto da temática em destaque na formação educacional e na evasão escolar da faixa etária juvenil.

Ademais, sob a ótica dos agentes sociais, as instituições de ensino e a estrutura familiar possuem papel expressivo na educação sexual de adolescentes e jovens. Contudo, no que tange tal assunto, percebe-se, até o presente momento, o predomínio de ideais conservadores e contrários ao esclarecimento sobre conteúdos relacionados à sexualidade. Conseguinte, mesmo inseridos em uma realidade repleta de informações oriundas da internet, os jovens não dispõem de uma total orientação para lidar com certas situações, como por exemplo, a adequada utilização dos métodos contraceptivos, o que comprova o alto percentual de gravidezes indesejadas que chega a 66% em adolescentes, conforme uma pesquisa do MS.

Logo, entende-se que para minimizar a notória taxa de gestações precoces é essencial a ação conjunta entre o Ministério da Saúde, o Governo Federal e as escolas, na qual deve-se investir em programas de Saúde da Família, que aproximam os adolescentes dos profissionais de saúde, e de Saúde na Escola (PSE), que oferecem dados sobre saúde no ambiente escolar, por meio de debates ou palestras, a fim de possibilitar o atendimento adequado às jovens grávidas, disponibilizar métodos contraceptivos aos que não possuem condições de obter e colaborar para o discernimento dos estudantes e a desestruturação de visões tradicionais frente a conteúdos baseados na sexualidade.