Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 14/07/2019

" Madalena, uma adolescente de 14 anos, por não ter orientação da família e da escola, começou a vida sexual cedo, e na maioria das vezes, mantinha relações sexuais sem camisinha ou outro forma contraceptiva. Assim, acabou ficando grávida e interrompendo os estudos." Essa história fictícia infelizmente é o retrato do Brasil, onde encontra-se 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos, diz relatório da Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, deve-se voltar à atenção no que tange a desinformação acerca da educação sexual.

Nessa perspectiva, é importante salientar que a mortalidade materna é uma das principais causas da morte entre adolescentes e jovens de 15 a 24 anos na região das Américas, ainda segundo o relatório; ou seja, por ser um tabu, não falar sobre o assunto pode levar não só a gravidez precoce, mas também a morte, aborto clandestino e abuso sexual. Dessa maneira, é imprescindível que a sociedade entenda que educação sexual vai muito mais além do ato propriamente dito e sim, preparar a criança e adolescente para a questão do assédio e violência sexual.

Ademais, o jovem, ao fazer sexo sem camisinha, está predisposto a contrair DST’s, o que ratifica a necessidade da escola trabalhar esse assunto, e a família ser aberta e conversar sobre o tema. Contudo, isso não é tão fácil, uma vez que a igreja tem uma enorme influência histórica na sociedade  ao impor a exaltação da pureza sexual, sendo assim, a comunidade brasileira incorporou essa imposição e infelizmente naturalizou um enorme tabu quando o assunto é sexo. Nesse cenário, uma matéria do Profissão Repórter mostrou que as mazelas sociais levam a jovens de comunidades ou do interior a falta de informação até sobre a menstruação, o que gera muitos mitos; além dos recorrentes casos de machismo. Logo, é evidente o quão amplo e cheio de consequências é essa temática, sendo de extrema importância abordar e trabalhar, de forma recorrente, sobre tal conteúdo.

Infere-se, portanto, que a melhor forma de combater a gravidez precoce é por meio da educação, porquanto, conforme Immanuel Kant," o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele “. Sendo assim, cabe ao MEC, responsável pelo sistema educacional brasileiro, a incorporação de uma matéria sobre educação sexual, além de palestras com especialistas sobre a sexualidade infantil para atender as dúvidas e informar os pais sobre isto. A posteriori, o índice de jovens com entendimento e criticidade sobre esse tema, irá aumentar e consequentemente, o número de adolescentes grávidas, irá decrescer.