Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/07/2019
No auge do regime nazista europeu, durante a Segunda Guerra Mundial, o escritor de origem judaica, Stefan Zweig refugiou-se no Brasil, e admirado com o potencial desta nação escreveu uma obra intitulada: " Brasil, país do futuro “, frase, ainda hoje, bastante difundida. Contudo, a perpetuação de alguns problemas até os dias atuais, como a alta taxa de fecundidade na adolescência, acima da média mundial, são empecilhos para que a previsão do autor se torne realidade. Desse modo, é de fundamental importância avaliar como as escolas e a família influenciam tal problemática, e as suas consequências psicossociais.
Em primeiro plano, de acordo com o educador Paulo Freire: " Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Sob esse viés, observa-se a importância das escolas para modificar os índices de gravidez entre as adolescentes, uma vez que por meio de uma educação sexual, os jovens são conscientizados da importância do uso de preservativos, por exemplo. Contudo, o ensino brasileiro, frequentemente, carece de um ensino que se aproxime da realidade dos alunos, negligenciando aspectos tão importantes na construção psicossocial, de modo que a falta de conhecimento e informação levam aos altos índices de fertilização na adolescência.
Ademais, conforme o filósofo Pierre Bourdieu, a sociedade incorpora, naturaliza e reproduz ao longo do tempo as estruturas e costumes que lhe são impostas, de modo que o povo brasileiro ainda perpetua a ideia de “pureza sexual " difundida pelo cristianismo durante a colonização. Por conseguinte, assuntos de cunho sexual são considerados tabu por muitas pessoas, de forma que a ausência de acompanhamento e diálogo dentro das famílias, faz com que os filhos se sintam desconfortáveis de falar com os pais e iniciem uma vida sexual ativa sem os devidos cuidados, o que os tornam mais vulneráveis. Cenários como esse propiciam a realidade divulgada pelo site Acidadeon, o qual afirma que 625.750 garotas abaixo de 19 anos se tornaram mães no ano de 2014, apenas no Estado de São Paulo. Essa situação prejudica a saúde física e mental dessas jovens.
Portanto, são necessárias medidas capazes de mitigar esse problema. Para tanto, é preciso que o MEC promova mutirões em todas as escolas, que juntem pais e filhos, para discutir por meio de palestras interativas, com profissionais da saúde, sobre os modos e a importância da proteção durante os atos sexuais, para que os jovens sejam bem informados e conscientizados. Somado a isso, o Ministério da Saúde deve garantir o acesso à um atendimento médico de qualidade de auxilie todo o processo de gestação dessas adolescentes, para que os dados sejam amenizados. Assim, estaremos mais perto de uma nação evoluída, prevista pelo Stefan.