Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 26/07/2019
Apesar de ocorrer em diferentes classes, a gravidez na adolescência está associada diretamente com baixa renda, baixa escolaridade e pouca perspectiva de futuro. Dessa forma, diversos estudos comprovam essa relação, inclusive dados governamentais. Vale salientar ainda que cerca de 30% das meninas que engravidam na juventude acabam tendo outro filho no primeiro ano pós-parto.
Dados do Ministério da Saúde mostraram um total de 274 mortes relacionadas com a gravidez em adolescentes em 2004. Essas mortes, além das causas obstétricas, podem estar associadas com a tentativa de aborto, comum em adolescentes grávidas. “É de se destacar a relação existente entre gravidez e abandono escolar, pois se estima que cerca de 58% dessas meninas brasileiras com filhos não trabalhem ou estudem”, ressalta o Dr. Paulo Nassar, coordenador do centro de diagnóstico da maternidade Perinatal Barra. De maneira geral, a gestação precoce repercute negativamente nos índices de evasão escolar (tanto anterior como posterior à gestação), impactando no nível de escolaridade da mãe, diminuindo suas oportunidades futuras.
Portanto, mesmo em camadas mais pobres da população, o acesso a meios de informação está presente, entretanto, a maioria não sabe prevenir-se de forma adequada, não compreendendo o funcionamento de cada método, utilizando-o de maneira errônea ou, simplesmente, abandonando seu uso por questões pessoais. Logo, o que aumentaria a probabilidade a gestação prematura destas meninas é o comportamento de risco, inerente à fase da adolescência. É sabido que a gravidez na adolescência gera consequências imediatas no emocional dos jovens envolvidos. Alguns sentimentos experimentados por estes jovens são: medos, insegurança, desespero, sentimento de solidão, principalmente no momento da descoberta da gravidez.
Em suma, é notório que, apesar de as adolescentes de todas as classes sociais engravidarem, o enfrentamento da situação é diferente. Quanto às jovens de classe social mais favorecida, apesar dos poucos estudos disponíveis, sabe-se que contam mais com a possibilidade de interromper a gravidez e têm outros objetivos na vida, o que não acontece com as de classe social menos favorecida. Dessarte, percebe-se que é necessário desenvolver programas em educação para a saúde que não sejam apenas ocasionais curativos e preventivos, programas que não só informem mas também formem e eduquem pais e filhos, que abordem, além da anatomia e fisiologia do aparelho reprodutor humano, as vivências emocionais, sociais e culturais das pessoas. Cabe ao Ministério da Educação em companhia ao Ministério da Saúde implementar essas propostas de forma apurada, para que o futuro seja diferente.