Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 29/07/2019

De acordo com a Organização Mundial da Saúde o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes para cada grupo de mil, apresentando desse modo um grande desfalque em comparação com a média mundial, de 46 a cada mil. Nessa perspectiva, torna-se premente analisar a principal causa, assim como a notável consequência puerpério: falta de informações e a dificuldade no retorno a vida escolar, respectivamente.

Em primeira análise, é lícito postular que tal assunto se encontra em omissão nas discussões familiares e escolares, devido ao pensamento equivocado o qual acredita que a instrução pode encorajar os jovens a se tornarem sexualmente ativos. Segundo Anna Cunha, oficial para Saúde Reprodutiva e Direitos do Fundo de População das Nações Unidas, é preciso ampliar o acesso à informação e aos métodos contraceptivos. Evidenciando o supracitado, o filósofo John Locke fala que o indivíduo ao nascer é como uma Tábula Rasa a qual é preenchida durante a vida. Nesse sentido, constata-se a importância da comunicação na formação sociocultural do indivíduo.

Faz-se mister, ainda, salientar os prejuízos sociais enfrentados após a gravidez. De acordo com o Ipea, 76% das adolescentes que engravidam abandonam a escola e 58% não estudam, nem trabalham. Tal fenômeno ocorre devido à falta de apoio encontrado por essas jovens no cuidado com o filho. Ainda, a administradora-executiva da Fundação Abrinq, Heloísa Oliveira, apresenta a gravidez precoce como um fator propagador de pobreza para a geração seguinte, uma vez que ao largar a educação estão mais propicias ao desemprego por falta de qualificação. Dessarte, nota-se a importância do incentivo da conclusão educacional.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a gerar condições dignas a todos. Logo, urge que o Ministério da Educação, em conjunto com escolas, inclua a disciplina de educação sexual no currículo escolar dos ensinos fundamental e médio, com o intuito de incentivar a conversa com os pais e desconstruir o tabu sobre sexo entre jovens. Ademais, o Governo, através do direcionamento de uma maior parcela dos tributos arrecadado, deve disponibilizar creches capazes de cuidar da criança enquanto a mãe estuda, visando à garantia de capacitá-la a maiores oportunidades de emprego. Dessa forma, será possível caminhar para uma sociedade com menores índices de gestação precoce e capaz de garantir a oportunidade de ascensão daquelas que já passaram por isso.