Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 12/08/2019
O surgimento das pílulas anticoncepcionais no mercado na década de 1960 promoveu uma revolução nos hábitos sexuais do mundo ocidental. No entanto, embora esse medicamento tenha empoderado as mulheres a terem menos filhos, o aumento dos casos de gravidez na adolescência indicam uma tendência contrária a contemporaneidade. Assim, a negligência da educação sexual entre os jovens e o perfil socioeconômico da sociedade constituem fatores que estimulam o crescimento das taxas de fecundidade no Brasil.
Nesse contexto, é necessário analisar o papel da família no diálogo sobre a sexualidade com os filhos. Segundo o sociólogo francês Pierre Bordieu, o primeiro contato com os valores sociais os quais irão orientar as práticas futuras dos indivíduos se dá no âmbito familiar. Com efeito, a participação plena dos pais na vida das crianças pode impedir que eles iniciem uma vida sexual precoce e sem o uso de preservativos, pois serão ensinadas a respeitar o momento ideal de modo seguro. Dessa maneira, o diálogo aberto entre os indivíduos evita a criação de tabus sobre o corpo e o sexo e pode prevenir a gravidez precoce.
Além disso, o perfil socioeconômico de uma população também influencia no aumento das gestações entre adolescentes. A partir de dados da Organização Mundial da Saúde, no Brasil, a gravidez na adolescência está acima da média latino-americana, em que a cada 1000 jovens, cerca de 68 engravidaram. Esse cenário envolve, em grande parte, os indivíduos mais pobres, seja por não receberam as informações sobre a importância da prevenção, seja por não terem acesso à métodos contraceptivos baratos e eficazes. Logo, a população mais carente tende a gerar mais filhos na fase juvenil.
Infere-se, portanto, que a discussão sobre a sexualidade dos jovens e a falta de acesso à informação colocam em evidência os casos de gravidez na adolescência no Brasil. É imprescindível, então, a atuação do Ministério da Educação aliado ao Ministério da Saúde, na promoção de palestras nas escolas públicas, por meio da contratação de médicos, enfermeiros e psicólogos, os quais possam palestrar sobre a importância do uso de preservativos em uma vida sexual ativa e os impactos de uma gravidez na idade infantojuvenil. Por conseguinte, haverá o fortalecimento de uma educação integral, a qual auxiliará a prevenção da gravidez não intencional durante a fase de formação da identidade de cada indivíduo em sociedade.