Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 15/08/2019
A adolescência é inegavelmente um período de importantes mudanças físicas e psicológicas. Nesse cenário de descobertas, inclusive reprodutivas e sexuais, o adolescente torna-se vulnerável as consequências de uma gravidez não planejada. Logo, apesar da geração presenciar a “era da informação”, o país ainda convive com os altos índices de gravidez precoce, devido a desinformação acerca da educação sexual e a condição vulnerabilidade socioeconômica da juventude brasileira.
Em primeiro lugar, analogamente ao pensamento do psicanalista Sigmund Freud de que existem assuntos que são adorados em detrimento de outros que são proibidos pela sociedade, percebe-se que a sexualidade ainda é um tabu social. Consequentemente, esse moralismo impede a concretização de um plano de educação sexual efetivo no país. Dessa forma, o adolescente por não encontrar canal de comunicação na escola ou na família, assume um comportamento irresponsável que negligencia o uso de métodos contraceptivos, contribuindo tanto para o aumento de gravidez precoce, como de infecções sexualmente transmissíveis.
Além disso, existe o reflexo da desigualdade socioeconômica do país, pois, a falta de direitos básicos como acesso à educação e a cultura anula as perspectivas sociais e profissionais dos jovens que tornam-se mais propensos à gravidez. Como resultado, a evasão escolar torna-se inevitável, principalmente para as meninas – cruel reflexo da desigualdade de gênero - , segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 76% das adolescentes grávidas abandonam os estudos. Dessa forma, perpetua-se os ciclos de pobreza e exclusão que necessitam de atuação do Estado e da sociedade para serem rompidos.
Portanto, torna-se necessário que o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde elaborem projetos de prevenção à gravidez através da inserção da educação sexual na grade curricular das escolas para, por meio da orientação em linguagem adequada e em parceria com a família, desconstruir o tabu acerca da sexualidade e conscientizar os jovens sobre suas responsabilidades reprodutivas. De mesma importância, o Estado necessita, por intermédio de seus Ministérios e Secretárias, investir em ações que garantam os direitos fundamentais, principalmente o acesso à educação básica ,à qualificação profissional e à cultural, com o intuito de empoderar os adolescentes, em especial as meninas, e construir perspectivas sociais e profissionais que previnam a gravidez nesse período fundamental no desenvolvimento.