Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 09/08/2019
‘‘Preciosa’’, obra cinematográfica vencedora do Oscar, retrata a história de Claireece, jovem menor de idade e pobre da periferia de Nova York, nos Estados Unidos. No enredo, grávida e sem recursos financeiros, a protagonista tenta sobreviver em meio às adversidades. Nesse contexto, ao traçar um paralelo com o Brasil, no que se refere à gravidez na adolescência, a realidade não se mostra muito diferente daquela mostrada na ficção: a problemática da maternidade prematura no país é latente, e instiga o debate sobre suas causas. Assim, é lícito afirmar que no Brasil, a ineficiência estatal e a postura conservadora de parte das famílias contribuem para a perpetuação da questão.
Primeiramente, evidencia-se, por parte do Governo, a ausência de políticas públicas que tratem da prevenção da gravidez na adolescência. Essa lógica é comprovada pela inexistência de ações e programas governamentais - como palestras e distribuição de preservativos em unidades escolares de nível médio - que teriam o potencial de informar e, consequentemente, evitar uma maternidade e paternidade precipitada. Com isso, à medida que ignora a importância de políticas preventivas, o Estado torna-se parte responsável pelos altos índices de mulheres que se tornam mães na adolescência. Logo, é substancial e urgente a mudança desse quadro nocivo no Brasil.
Outrossim, é imperativo pontuar que a conduta familiar também pode ser fator de influência à gravidez prematura, no que concerne à falta de diálogo entre adolescentes e responsáveis. Isso ocorre porque existe, em alguns núcleos familiares, o senso comum de que conversar sobre sexo equivale a estimular o indivíduo a manter relações sexuais. Sob esse aspecto, John Locke, filósofo inglês, diz que o ser humano é como uma tela em branco, preenchida por experiências e influências. Nota-se, dessa forma, ao apropriar-se da perspectiva do pensador, que uma vez que o adolescente não é orientado a uma prática sexual segura, está exposto a situações como gravidez e problemas decorrentes dela.
Infere-se, portanto, que Estado e da família devem trabalhar para reduzir os índices de mães e pais adolescentes. Posto isso, o Ministério da Saúde deve, por meio da criação de um plano nacional de prevenção à gravidez na adolescência, promover eventos e aulas específicas em escolas públicas e privadas, a fim de informar e sanar as dúvidas dos adolescentes a respeito de sexo e métodos contraceptivos. Tais eventos e aulas devem contar, preferencialmente, com a monitoria de médicos ginecologistas, psicólogos e demais profissionais da saúde. Ademais, o Ministério da Educação, mediante campanhas na mídia televisiva e recomendações em reuniões escolares, devem auxiliar os pais e responsáveis a respeito da melhor maneira de abordar saúde sexual em casa, de modo a evitar constrangimento e desinformação entre as partes.