Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 13/08/2019
No documentário “Meninas: gravidez na adolescência”, narra-se a vida de quatro jovens cariocas entre treze e quinze anos que engravidaram durante a juventude, e por isso, sofrem preconceito e tabu por parte da sociedade. No Brasil, a taxa de gravidez na adolescência está acima da média, sendo a segunda maior do mundo, com 68,4 nascimentos para cada mil adolescentes entre quinze e dezenove anos. Nesse contexto, convém analisarmos como a sociedade brasileira e a sexualização precoce influenciam na problemática em questão.
O tabu presente na sociedade brasileira é a principal causa pela alta taxa de gravidez. Segundo o psiquiatra Sigmund Freud, em seu livro “Totem e Tabu”, o tabu representa qualquer comportamento inaceitável, pois vai contra as leis e os valores morais de algum grupo. O Brasil, por ser um país de povo predominantemente cristão, dificuldade de tratar os assuntos de sexo e sexualidade dentro do lar, na mídia e nas escolas, favorecendo a desinformação e o medo. Em consequência disso, os jovens tendem a descobrir a sexualidade sozinho e sem o conhecimento devido.
Além disso, nota-se que a desinformação sobre os métodos contraceptivos também é responsável pelas gravidezes. Na revista Human Reproduction, mostra que no Brasil, 55% das mulheres não planejaram filhos, mas engravidaram pois não fizeram uso de métodos contraceptivos considerados modernos, como a pílula e a camisinha. Isso acontece porque as mulheres mais pobres e com menos grau de educação estão entre as que menos fazem uso desses contraceptivos. Desse modo, sem conhecimento, gerarão um filho sem ter condições para ser mãe.
Torna-se evidente, portanto, que a questão da gravidez na adolescência precisa ser revisada. O Ministério da Saúde, em conjunto com as principais emissoras de TV, bem como as principais mídias digitais, devem elaborar uma campanha nacional de combate a gravidez na adolescência. Essa campanha investirá na conscientização coletiva da população, mostrando a realidade de uma menina grávida, além das dificuldades e os custos para se ter um filho. Dessa maneira, o problema deixará de ser uma preocupação para o Brasil.