Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 04/09/2019

Durante a idade média a igreja católica exercia forte influência sobre a vida e costumes da população europeia. Assim, muitas regras impostas pelo clero, como a permissão de relações sexuais após o casamento e apenas como fim reprodutivo, foram cobradas de forma rigorosa e com imposição de castigos às mulheres que infringissem a mesma. Hodiernamente, esses costumes, apesar de retrógrados, são latentes à população brasileira. Entretanto, o aumento dos casos de gravidez na adolescência é um fato causado, principalmente, pelo tabu acerca do assunto e gera consequências como risco de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.

Em primeiro lugar, convém ressaltar que a persistência social de desconsiderar a educação sexual como fator importante a ser tratado - por exemplo, pelas escolas – gera muitos riscos aos jovens, visto que é nessa fase que o lado sexual começa a ser aflorado devido à intensa produção de hormônios. Nesse sentido, a manutenção de um pensamento conservador, ainda herança dos costumes católicos medievais - que prioriza a proibição do sexo em detrimento de informações para torna-lo mais seguro mostra que essa temática ainda é um tabu. Paralelo a tal perspectiva, é válido considerar o pensamento de Foucault ao qual diz que as pessoas são mais livres do que imaginam para anular pensamentos equivocados construídos em outros momentos históricos.

Em consequência disso, os jovens correm um grande risco não só de engravidar, mas também de contrair doenças sexualmente transmissíveis. Outrossim, as chances de comprometer a carreira profissional e os estudos aumentam, uma vez que a gestação gera diversas modificações físicas, psicológicas e até mesmo sociais, quando a família não tem preparo financeiro para sustentar mais uma pessoa. Com o intuito de abordar esse assunto, a série americana “Euphoria” conta a história de Cassie, uma jovem que engravidou precocemente no período escolar e se encontra sem perspectiva de futuro. Contudo, a ficção não se difere muito da realidade, pois segundo dados da SEADE, no Estado de São Paulo, mais de 3400 meninas menores de 15 anos engravidaram em 2014.

Por isso, com o intuito de diminuir o alto índice de gravidez na adolescência, é preciso considerar a Educação como ferramenta de transformação principal. Cabe às escolas, portanto, investir em aulas que ultrapassem a visão conteudista, em que objetiva-se, por meio de palestras com profissionais qualificados como psicólogos e ginecologistas, mostrar a importância da educação sexual e de um lugar onde cria-se um canal de debate sobre dúvidas e esclarecimentos acerca do assunto. Assim, os jovens não só irão adquirir maior responsabilidade, como também poderão começar a estabelecer um diálogo com os pais. Por fim, costumes ultrapassados não farão mais parte da sociedade brasileira.