Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 27/08/2019

Evasão escolar. Riscos à saúde. Desigualdade de gênero. Esses são alguns impactos que caracterizam o problema da gravidez precoce na sociedade brasileira, uma vez que tal acontecimento traz inúmeras consequências para os envolvidos, sobretudo para as futuras mães. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, que tem como causas: a desigualdade social e a exígua educação sexual nas escolas.

Em primeira análise, cabe pontuar que a gravidez precoce ocorre, majoritariamente, nas periferias, conforme dados da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS). Essa é uma das consequências da imensa desigualdade social presente no país, já que, de acordo com o Índice de Gini, o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. Com efeito, não há grande diferença no comportamento sexual entre jovens pobres e ricos, o que existe, de fato, é a diferença no acesso à informação e à aquisição de métodos contraceptivos. Por consequência desse processo excludente, há também o aumento da desigualdade de gênero, uma vez que, embora exista a figura do jovem paterno, as meninas são as mais prejudicadas, ou por assumirem, muitas vezes, a gravidez sozinhas, ou por terem sua saúde comprometida ou ainda, por se absterem, temporária ou permanentemente, dos estudos.

Outro ponto relevante, nessa temática, é a exígua educação sexual presente nas escolas. Sob essa lógica, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Destarte, esse conceito corrobora o problema ora elencado, haja vista que, se os adolescentes não têm acesso à informação séria sobre os impactos da gravidez precoce, assim como sobre os métodos contraceptivos e a forma de obtê-los junto ao Sistema Único de Saúde (SUS), sua visão será limitada, o que dificulta a erradicação do problema. Assim, o fomento à educação sexual nas escolas é imprescindível para a mudança desse cenário no país.

Portanto, é perceptível a gravidez precoce é um problema no Brasil e, por isso, medidas precisam ser desenvolvidas. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve prover, de forma ampla e gratuita, a distribuição de métodos contraceptivos às regiões com maiores índices de pobreza, a fim de propiciar amplo planejamento familiar aos jovens, independente de seu poder aquisitivo. Concomitantemente, devem ser desenvolvidas ações educativas nas escolas, por meio de profissionais especializados, a fim de orientar os adolescentes quanto ao uso dos contraceptivos, tanto para prevenção da gravidez, como para a prevenção de doenças. Dessa forma, espera-se que a problemática deixe de fazer parte da realidade brasileira, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo".