Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 25/08/2019

“O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, retrata uma sociedade distópica e teocrata em que todas as mulheres férteis são escravas sexuais para que engravidem da elite americana. Nesse contexto, muitas pessoas se automutilam por temerem a gestação, e, consequentemente , a humilhação. Consoante à realidade, infelizmente a gravidez na adolescência causa uma segregação da gestante assim como na obra de Atwood. Isso é provocado pelo início antecipado da vida sexual, algo que gera o abandono parental, e apresenta um problema que deve ser combatido.

Em primeiro plano, nota-se a influência midiática para que as meninas tenham uma vida sexual o quanto antes, músicas que as tratam como “novinhas” revelam esse fato. Nesse sentido o filósofo J.J Rousseau dizia que a criança em seu estado natural é pura e inocente, logo, é dever do estado garantir as condições necessárias para o seu desenvolvimento. Entretanto, o governo falha por não promover medidas que ajudam na proteção da inocência infantil, o que implica diretamente no aumento do índice de gravidez nessa faixa etária.

Ademais, o sociólogo Zygmunt Bauman acreditava que o principal problema da pós-modernidade é o individualismo, o que acarreta na deterioração das relações humanas e na falta de empatia. Esse conceito pode ser usado para explicar o fato de que muitos pais das adolescentes grávidas as expulsam de casa. Similarmente, a canção “Papa Don’t Prech Me”, da Madonna, denuncia o medo que uma garota tem de contar para o pai sobre sua gravidez indesejada e ser abandonada por ele. Quando isso ocorre, a criança cresce sem uma base familiar e com péssimas condições de moradia, saúde e educação, o que contraria a Declaração Universal dos Direitos Humanos  que garante esses direitos a todos.

Urge, portanto, que ativistas dos Direitos Humanos promovam protestos nas redes sociais que pressionem a Câmara dos Deputados a criar leis que protejam o desenvolvimento sadio dos jovens, a fim de extinguir a erotização precoce de adolescentes. Essas proibiriam músicas com teor sexual em locais públicos e aplicariam multas pra quem descomprisse, e seria necessário uma confirmação de idade para serem ouvidas em serviços de streaming como o YouTube e Spotify,  Além disso, ao utilizar  de impostos arrecadados, o Ministério Público deve financiar propagandas na TV que formem uma consciência coletiva de que adolescentes nessa situação devem contar com o apoio familiar acima de tudo. Por último, cabe ao Ministério da Educação fazer o uso de verbas públicas com o intuito de realizar palestras anuais acerca da importância dos métodos contraceptivos com profissionais da saúde.