Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/08/2019
Ao analisar a questão da gravidez precoce nota-se que é um problema complexo e recorrente na sociedade brasileira. Tal questão apresenta-se como relevante ao se pensar, principalmente, nos impactos negativos no futuro da mãe adolescente, a exemplo da evasão escolar e, consequentemente, das dificuldades futuras de inserção no mercado de trabalho. Pode-se atribuir suas causas à, entre outros fatores, falta de educação sexual e ao mau uso de métodos contraceptivos. Com efeito, evidencia-se a necessidade de enfrentamento do problema.
Primeiramente, um importante aspecto a ser discutido é a visão do sexo como tabu pela família e instituições de ensino. Nesses meios, é comum a crença de que falar sobre sexualidade irá incentivar o início precoce da vida sexual.
Entretanto, essa falta de diálogo contribui para que os jovens não tenham a orientação adequada, o que os priva de uma vida sexual segura e responsável. Ademais, a educação sexual também ensina sobre o uso correto dos métodos contraceptivos. Com mídias como TV e internet, muitos jovens sabem sobre a importância dos contraceptivos, mas isso não significa que saibam como utilizá-los, o que diminui sua eficácia.
Prova da importância dessa orientação está nos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, que afirmam que entre 2004 e 2015 a educação sexual contribuiu para diminuir a gravidez na adolescência em cerca de 17%. É possível dizer que essa taxa poderia apresentar melhorias se a educação sexual fosse vista com menos preconceito.
Fica evidente, portanto, a importância e a necessidade da educação sexual nas escolas, feita por meio de palestras e debates com sexólogos, voltados tanto para os alunos quanto para os pais, e aulas com professores devidamente preparados. Ademais, é indispensável que a família discuta o assunto e esteja aberta a questionamentos, comportamento que pode ser incentivado pelos projetos das escolas e por campanhas de conscientização veiculadas à mídia. As prefeituras também devem destinar mais verbas aos postos de saúde para aumentar a distribuição gratuita de diferentes métodos contraceptivos, junto de cartilhas complementares às orientações recebidas nas instituições de ensino. Por fim, é preciso haver investimento em programas voltados para a prevenção, com a participação de psicólogos e assistentes sociais, visando diminuir a vulnerabilidade a esse tipo de gravidez. Com tais implementações, é possível amenizar as taxas de natalidade precoce e contribuir para a construção de uma juventude mais consciente.