Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 28/08/2019
Evasão escolar. Riscos à saúde. Desigualdade de gênero. Esses são alguns impactos que caracterizam o problema da gravidez precoce na sociedade brasileira, a qual traz inúmeras consequências para os jovens envolvidos, sobretudo para as futuras mães. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, que tem como raízes: a desigualdade social e a exígua educação sexual ofertada pelas escolas.
Em primeira análise, cabe pontuar que a gravidez precoce ocorre, majoritariamente, nas periferias, conforme dados da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS). Essa é uma das consequências da imensa desigualdade social presente no país, já que, segundo o Índice de Gini, o Brasil é o décimo país mais desigual do mundo. Com efeito, não há grande diferença no comportamento sexual entre jovens pobres e ricos, o que existe, de fato, é a diferença no acesso à informação e à aquisição de métodos contraceptivos. Por consequência desse processo excludente, há também o aumento da desigualdade de gênero, uma vez que, embora exista a figura do jovem paterno, as meninas são as mais prejudicadas, seja por assumirem, muitas vezes, a gravidez sozinhas, seja por terem sua saúde comprometida, seja por se absterem, temporária ou permanentemente, dos estudos.
Outrossim, a limitada educação sexual oferecida pelas escolas acentua a persistência da problemática. Sob essa lógica, o educador Paulo Freire defende que se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda. Destarte, esse conceito corrobora o problema ora elencado, tendo em vista que a dificuldade na mudança dessa realidade no país está intimamente associada à desinformação, especialmente no início da vida sexual do jovem, acerca dos métodos contraceptivos usuais, a forma de obtê-los junto ao Sistema Único de Saúde (SUS), assim como em relação às consequências da gravidez precoce. Além disso, esse problema social favorece a prevalência de diversos outros, como a violência, a evasão escolar e a desigualdade socioeconômica.
Portanto, é perceptível que a gravidez precoce é um problema de saúde pública no Brasil e, por isso, precisa ser combatido. Logo, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve prover, de forma ampla e gratuita, a distribuição de métodos contraceptivos às regiões com maiores índices de pobreza, a fim de propiciar, aos jovens, amplo planejamento familiar. Concomitantemente, devem ser desenvolvidas ações educativas nas escolas, por meio de profissionais especializados, a fim de orientar os adolescentes quanto ao uso dos contraceptivos, tanto para prevenção da gravidez, como para a prevenção de doenças. Dessa forma, espera-se que a problemática deixe de fazer parte da realidade brasileira, pois, como defendeu Martin Luther King: “Toda hora é hora de fazer o que é certo".