Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/09/2019
De acordo com o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, torna-se cada vez mais comum que mulheres, no Brasil, passem a ter filhos por volta de 40 anos. Contudo, dados divulgados pela OMS, Organização Mundial de Saúde, revelaram que o Brasil continua ocupando o segundo lugar em número de grávidas adolescentes na América Latina. Assim, observa-se que a gravidez na adolescência, no país, torna-se um desafio e que é preciso conhecer os diversos estigmas desse problema, na propensão de solucioná-lo.
Em uma primeira análise, é imprescindível salientar as causas do panorama na sociedade brasileira. Parafraseando o filósofo Foucalt, alguns assuntos sofrem restrições e, no meio familiar, a educação sexual é um deles. Tabulizado, muitos pais preferem deixar à escola a responsabilidade de ensinar sobre a temática “sexo”, o que - em um ano de extrema polarização e conservadorismo, como é o caso de 2019, de acordo com o que se observa nas redes sociais e discursos do presidente do Brasil - corrobora com a insistência da gravidez na adolescência, visto que os adolescentes acabam despreparados para as suas relações sexuais. Aliado a isso, a falta de uma matéria focada em orientação sexual, nas escolas, só piora o cenário, como revela o educador Paulo Freire. De acordo com ele: Se a educação, por um lado, não muda o mundo, por outro, inviabiliza qualquer mudança - a educação é primordial para romper com essa atmosfera.
Ademais, em um segundo plano, é relevante ressaltar as consequências da gravidez na adolescência para a comunidade do país. O doutor Drauzio Varella, conhecido pelos seus artigos no portal UOL, alertou que esse tipo de gestação tende a beneficiar diversas mazelas sociais, como o aumento da criminalidade e, realmente, nota-se que isso é verídico. Dados da revista online DeFato mostraram que essas gestações fazem com que muitas meninas abandonem seus estudos e criem essas crianças baseadas na falta de informação, o que as exclui de fornecerem boas oportunidades aos seus filhos e, muitas vezes, isso os leva a cometerem crimes, como afirmou Drauzio. Assim, o dilema configura-se como importante desafio político nacional.
Portanto, é mister que medidas sejam tomadas para a mudança desse panorama. Destarte, é imperativo que o Ministério da Educação torne a educação sexual matéria obrigatória nas escolas, por meio de alterações na grade comum curricular brasileira. Além disso, cabe às famílias, em parceria com as escolas, promoverem rodas de conversa com as gerações mais novas a respeito de temas sexuais, por meio da participação mais ativa de professores e pais em suas vidas. Agindo assim, será possível acabar com a gravidez precoce no Brasil e contrariar o dado da OMS.