Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 01/09/2019
Lima Barreto, em seu romance “Clara dos Anjos”, retrata a realidade de uma adolescente negra e pobre do século XX, que é representada por Clara, uma personagem que mora em uma casa extremamente conservadora, onde é privada de informar-se e ter contato com o resto das pessoas da cidade e como resultado de sua inocência, Clara é enganada por Cassi e fica grávida dele. Apesar da obra ser uma análise do século passado, Lima mostra-se um artista atemporal, pois a gravidez na adolescência é um caso muito atual, e ela atinge, predominantemente, uma classe social, além de ser fruto, na maioria dos casos, da ausência de diálogo e acesso à informação, como no caso de Clara.
Em primeira instância, é importante evidenciar que a fetação precoce é mais frequente em um determinado perfil de pessoa, que segundo uma pesquisa desenvolvida pelo médico e especialista Drauzio Varella, a maioria dos casos de gestação na adolescência aponta para meninas pertencentes às classes socioeconômicas mais baixas. Portanto, pode-se concluir que esse problema atinge com maior intensidade certos grupos, e consequentemente regiões, como no caso do Acre, um dos estados mais pobres do Brasil, onde 27% dos casos de gravidez correspondem à adolescentes, consoante o programa Profissão Repórter, o que mostra a necessidade de interferência nessas áreas.
Em segunda instância, cabe esclarecer que, embora o contexto atual tenha se livrado de determinados conservadorismos, o tema “sexo” ainda é fortemente reprimido. Ademais, perante o pensamento do filósofo francês Michel Focault, a sociedade tem o poder de impor suas concepções consideradas moralmente corretas sobre os indivíduos, tomando como base a essência de sua ideia, percebe-se que a discussão sobre a educação sexual é omitida por ser considerada imprópria socialmente. Dessa forma, tem-se como consequência a escassez do diálogo e da instrução dos pais e com seus filhos a respeito de tudo que envolve uma relação sexual, e principalmente suas consequências quando não são feitas com segurança.
Em síntese, percebe-se que a fetação precoce é um problema que afeta o Brasil e sua origem está na ausência da atuação governamental em áreas carentes e também na falta de discussão sobre o tema. Por isso, o Ministério da Educação poderia levar informações aos jovens por meio da inclusão de matérias adicionais à grade curricular, referentes à educação sexual. Outrossim, cabe também ao Ministério da Saúde instruir os jovens, principalmente os que residem em áreas com altos índices de gestação antecipada, através do envio de profissionais às residências para que eles conversem em família sobre a importância da prevenção e os riscos caso ela não ocorra, além de distribuírem métodos contraceptivo. Pois só assim será possível proporcionar qualidade de vida aos jovens.