Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 02/09/2019
No livro “Simplesmente acontece”, a protagonista da trama engravida ainda muito jovem e, após descobrir a gravidez, enfrenta um momento avassalador de medo e tristeza, por achar que sua liberdade e, consequentemente, sua vida estavam arruinadas. Fora do mundo fictício, dados coletados pela organização mundial de saúde revelam que a vida real não se difere muito da história do livro, pois no período de 2010 a 2015, a taxa de gravidez precoce atingiu cerca de 70 mil jovens entre 15 a 19 anos no Brasil. Portanto, faz-se necessária uma reflexão acerca dos valores atuais que estão implantados na sociedade e que colaboram para manter esses índices elevados no cenário atual.
Certamente, os adolescentes estão começando a ter uma vida sexual bem mais cedo e, paralelamente a isso, a prática sexual ainda é considerado um tabu nos dias atuais, sendo evitado nos ambiente familiar e escolar, tendo como base o achismo de que, colocando o assunto em pauta, o jovem começará a ter uma vida sexualmente ativa. Porém, a falta dessa informação está intimamente ligada ao crescimento de gestação precoce entre as jovens, que na maioria dos casos não possuem um qualidade boa no quesito socioeconômico e, consequentemente, não foram instruídas sobre o aprendizado do uso correto e dos diferentes métodos contraceptivos que existem atualmente. Sendo comprovado pelo instituto Unibanco que diz a gestação nessa idade está diretamente ligada a evasão escolar e dificuldade na busca de emprego.
Ademais, a gravidez na adolescência trás consigo muitos riscos à saúde da mãe e do feto, que podem ocorrer durante ou até mesmo depois da gravidez como, por exemplo, a depressão pós-parto e rejeição à criança, ou em última instância, o risco alarmante da procura por clínicas de aborto não legais, que são perigosíssimas e possuem altos níveis de mortandade de seus “clientes”.
Portanto, medidas se fazem necessárias para se resolver o impasse que é a gravidez na fase juvenil, é preciso que o MEC aborde a sexualidade desde cedo com palestras dadas por especialistas sobre o tema no ensino fundamental e, principalmente, no médio, assim como o ensino de métodos contraceptivos e a forma correta de usá-los. Além disso, é de suma importância que o ministério da saúde possa sempre oferece-los de forma gratuita, de acordo com a lei. E por fim, que o governo faça parcerias com ONG’s que, através de propagandas e campanhas educativas, visem a quebra do tabu que é a vida sexual na sociedade. Pois como já dizia o filósofo Immanuel kant: “O homem é o que a educação faz dele”.