Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 04/09/2019

Ao descortinar do século XX, em decorrência da Terceira Revolução Industrial, a produção e acesso à informação tem naturalizado a discussão de certos tabus da sociedade. Entretanto, ainda existe resistência no que tange a quebra de paradigmas e, aliado à ausência de educação sexual e vulnerabilidade de grande parcela dos jovens brasileiros, acarretam o aumento da incidência de gravidez precoce. Tal assunto, por colocar em xeque a qualidade de vida das adolescentes e seus filhos, deve ser encarado como sério problema de saúde pública.

Em primeira análise, é necessário observar a condição em que ocorre tal fenômeno. Atualmente, a internet é responsável pela maior parte das informações recebidas pelas jovens que, além de terem, por natureza, uma vivência marcada por impulsividade e pouca preocupação com as consequências de seus atos, são sexualizadas precocemente e não encontram diálogo por parte da família. Conforme Marx, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, a mídia vende o sexo como mercadoria e encontra nos adolescentes ávidos fregueses, acarretando em números como os da Organização Mundial da Saúde (OMS), que dizem haver no Brasil, a cada mil meninas de 15 a 19 anos, 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes.

Outrossim, está a falta de preparo dos jovens para lidar com assuntos sexuais. À guisa de Kant, o ser humano é tudo aquilo que a educação faz dele. As escolas brasileiras, entretanto, negligenciam a saúde dos estudantes ao não instruí-los sobre gravidez e as formas de preveni-la, resultando em jovens vulneráveis à gestação precoce, que não apenas cria obstáculos para seu desenvolvimento psicossocial, como se associa a resultados deficientes na saúde e a um maior risco de morte materna. Como reflexo a uma população desprovida de informação, a perspectiva quanto ao mercado de trabalho é impossibilitada, como mostra o levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilios de 2013, em que cerca de 83% das adolescentes que são mães precocemente não estudam e nem trabalham, dando margem para que tais mulheres, assim como seus filhos, caiam na pobreza.

Urge, portanto, a necessidade de combater a gravidez precoce. O Ministério da Saúde deve orientar projetos que promovam a informação em ambientes públicos, centros médicos e educacionais, por meio de cartazes educativos e orientações médicas, além de implementação de máquinas de preservativos nas escolas públicas e postos de saúde. As escolas precisam estimular a mudança de comportamento dos jovens com seminários especializados e palestras, com orientação psicopedagoga aos alunos e às famílias. A articulação dessa pluralidade é impreterível para o aproveitamento ideal dos avanços proporcionados pela Revolução Industrial, formando uma sociedade sadia.