Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 04/09/2019

A obra cinematográfica “Juno” retrata em sua trama a vida de uma adolescente grávida e suas dificuldades durante a busca por um casal que pudesse adotar o seu filho. Longe da ficção, apesar da ampla disponibilização de métodos anticoncepcionais, a gravidez precoce ainda representa um problema social no Brasil, principalmente pelo insuficiente diálogo entre pais e filhos e pelo descaso dos próprios jovens. Dessa forma, faz-se necessário o debate acerca desses aspectos e de uma possível medida de intervenção para esse impasse.

A princípio, a baixa ocorrência de conversas entre os adolescentes e seus responsáveis colabora para a persistência da problemática. Segundo o sociólogo alemão Jurgen Habermas, a comunicação figura como o meio mais importante na busca por soluções e na superação de obstáculos. Sob tal ótica, observa-se que a vergonha e o medo da repressão configuram-se como os principais empecilhos para que se estabeleça um diálogo saudável entre os jovens e seus pais, o que se torna um cenário que vai de encontro ao proposto por Habermas. Dessa forma, a escassa troca de experiências dificulta a obtenção de informações cruciais para a construção de conhecimento acerca da sexualidade nesses novos indivíduos.

Em segunda análise, ao agir de maneira negligente frente ao suporte oferecido pelo Governo, o próprio jovem contribui para agravar esse entrave. Nesse contexto, é notório ressaltar que o Estado brasileiro oferece, por meio de seus postos e unidades de saúde, métodos contraceptivos, de forma gratuita, para a população, como camisinhas e pílulas anticoncepcionais. Ademais, no ano de 2019, foi adicionado ao Estatuto da Criança e do Adolescente um artigo sobre a semana nacional de prevenção à gravidez na adolescência, na qual serão desenvolvidas atividades de caráter preventivo e educativo em conjunto com o poder público e a sociedade brasileira. Desse modo, fica evidente que os jovens possuem diversas formas de apoio fornecidas pelo Governo Federal e é imprescindível que eles utilizem-nas para minimizar o problema.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a problemática no Brasil. Para tanto, urge que as escolas incentivem a comunicação entre os mais novos e seus pais, por meio de oficinas dedicadas à interação entre essas duas partes. Isso pode ocorrer com a realização de jogos e eventos que abordem assuntos relacionados à sexualidade, a fim de que os jovens possam se dirigir a seus responsáveis quando tiverem dúvidas sobre assuntos como a gravidez e os métodos para evitá-la, buscando, assim, os meios disponibilizados pelo Governo para adquiri-los. Espera-se, com isso, que casos como o retratado no filme “Juno” possam ser cada vez mais incomuns no país.