Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 05/09/2019

O século XX na Alemanha foi marcado pela Segunda Guerra Mundial, momento em que houve significativos avanços na medicina como, por exemplo, a pílula anticoncepcional. Entretanto, alguns paradigmas como o diálogo sobre o sexo ser considerado um tabu ainda não foram extintos; haja vista que, a gravidez indesejada na adolescência ainda predomina na sociedade contemporânea. Nesse âmbito, analisa-se que a problemática é sustentada, sobretudo, pelo descaso governamental e, ainda, pela escassez de uma educação de qualidade.

Nesse sentido, é elementar que se leve em consideração que, de acordo com o pensamento filosófico de São Tomás de Aquino, em uma sociedade democrática de direito todos possuem o mesmo grau de importância. Contudo, o Estado diverge de tal perspectiva, ao permanecer inerte perante suas cidadãs que engravidam na adolescência, dado que não investe em campanhas ostensivas que visem a prevenção e a conscientização das pessoas, principalmente, em áreas mais pobres que, muitas vezes, não apresentam postos de saúde ou hospitais para o tratamento pré-natal necessário. Dessa maneira, não é de se espantar que, em 2014, houve 274 mortes relacionadas à gestação na puberdade, seja por causas obstétricas ou tentativas de aborto, segundo dado do Ministério da Saúde (MS).

Paralelo a essa dimensão política, quando o renomado filósofo Lev Vygotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seu seus participantes, corrobora-se a necessidade de eixos como a educação sexual serem desenvolvidos no ensino básico. Porém, ao contrário dessa lógica, a prioridade do currículo básico brasileiro voltada frequentemente para o tecnicismo alienado agrava o problema, na medida em que, neste formato, contribui para formação de um corpo social desprovido de informação sobre métodos contraceptivos, aumentando, assim, os índices de gestações indesejadas e de doenças sexualmente transmissíveis. Desse modo, medidas são necessárias para mitigar o atual panorama.

Portanto, faz-se necessário que o Poder Público tome providências para amenizar o numero de gravidezes na adolescência. Diante disso, é imprescindível que o Ministério da Saúde destine um número maior de verbas às secretarias da saúde, por meio de subsídios, a fim de assegurar maiores quantidades de contraceptivos e qualidade nos postos e hospitais para o tratamento das jovens que estão gravidas, sobretudo, em regiões menos favorecidas. Ademais, as escolas devem promover aulas menos tecnicistas  e mais tangíveis à realidade do aluno, por meio de rodas de debates e alertas sobre as formas de prevenção à gravidez. Isso pode ser feito convidando médicos e outros profissionais da área da saúde, que alertem de maneira didática, de modo que haja melhora desse quadro.