Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 18/09/2019
O documentário “Meninas” produção brasileira, retrata todo o processo gestacional de quatro meninas, entre 13 e 15 anos, de diferentes periferias da cidade do Rio de Janeiro, além de demonstrar as causas dessa gravidez precoce e suas consequências. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde (MS), em 2016, ocorreram mais de 500 mil partos de garotas entre 10 e 19 anos, no país. Dessa maneira, torna-se essencial o debate sobre gravidez na adolescência, haja vista que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a maternidade imatura é de extremo risco á saúde da mãe da da criança.
Em primeira análise, é importante salientar que a pratica de relações sexuais entre os jovens está cada vez mais precoce, e a ausência de instrução e informação, tanto em âmbito familiar e escolar, contribui para que o início desse ato seja de forma inconsequente, na maioria dos casos. Consoante o filósofo Michel Foucault, alguns assuntos são silenciados por motivos predeterminados tornando-os tabus na sociedade, sendo um desses a temática da sexualidade. Desse modo, a escassez de conversa sobre o conteúdo ocasiona a desinformação e uma possível gestação, não desejada, na adolescência.
Por conseguinte, essa omissão de instrução proporciona, primordialmente, em regiões menos favorecidas bem como em classes sociais mais pobres, tal como demonstrado no documentário supracitado, maiores índices de gravidez precoce, no qual essas garotas são afetadas mais negativamente. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE), 44,2% das gestações na adolescência se concentram nessas áreas e em média 25% dessas meninas optam por deixarem os estudos. Isso ocorre por causa do preconceito e das discriminações, no âmbito escolar, no qual elas são as vítimas, o que resulta no decaimento do seu desempenho como estudante contribuindo para sua evasão escolar. Sendo assim, é imprescindível a desconstrução do tatu presente na sociedade, o que propicia a disseminação de informações sobre a temática.
Portanto, para que os índices de gravidez na adolescência decaia é necessário que o Estado intervenha. Nesse sentido, o Ministério da Educação em conjunto com o MS deve ministrar palestras no âmbito escolar, tanto em escolas publicas e privadas, sobre o tema da sexualidade bem como da maternidade imatura, com a participação de alunos, docentes e pais, por meio de depoimentos de mulheres que foram mães precocemente além de debates entre os envolvidos, com a finalidade de promover as informações que os jovens necessitam para o início de suas relações sexuais de modo consequente e que a haja uma diminuição da gestação precoce no país.