Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 09/09/2019

O filme norte-americano “Juno”, relata a história da adolescente Juno MacGuff, a qual engravida de seu melhor amigo aos 16 anos. Nesse sentido, a narrativa foca na importante decisão da garota que opta por doar a criança, uma vez que ela se considera despreparada para cuidar desse bebê. Fora da ficção, esse cenário de maternidade precoce também está presente no cotidiano brasileiro e tornou-se um sério problema governamental, visto que – seja pela ineficiência estatal, ora pela desinformação social – compromete a formação pedagógica dos jovens e possibilita a criação de danos à saúde.

A princípio, cabe analisar o papel ineficiente do governo sob a visão do filósofo inglês John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Analogamente, o atual poder público contradiz esse pensamento ao promover poucas campanhas de conscientização sobre a gravidez na adolescência, as quais, frequentemente, exibem dificuldades de comunicação com o público juvenil e não conseguem oferecer estruturas de apoio para as garotas. Por consequência, parte das jovens gravidas acabam por exibir uma redução no desempenho escolar e, gradativamente, promovem o abandono do meio estudantil.

Ademais, além da ineficiência estatal, a desinformação popular também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do sociólogo francês Émile Durkheim. Segundo o autor, o indivíduo só poderá agir na medida em que conhecer o contexto em que está inserido. Dessa forma, o atual âmbito juvenil – o qual boa parte dos familiares não desenvolvem diálogos sobre sexualidade e instituições pedagógicas não comentam acerca desse assunto – contribui para a falta de informações sobre os problemas sociais e fisiológicos da gravidez precoce, além de permitir que os adolescentes negligenciem os métodos contraceptivos. Logo, observa-se a formação de um tabu social e, segundo a OMS, o aumento de gravidezes perigosas por conta do despreparo físico das garotas.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Saúde, em parceria com agências publicitárias, deve criar uma campanha nacional de combate à gravidez na adolescência, de modo a recrutar influenciadores ligados ao público juvenil que, ao longo de todo o ano, conscientizem sobre sexualidade e problemas da maternidade infantil. Dessa forma, será possível quebrar a barreira de comunicação com os jovens e garantir uma diminuição da gravidez precoce pelo país. Além disso, as escolas, com apoio do Ministério da Educação, devem difundir esse assunto em aulas especiais de Biologia, a fim de informar as crianças sobre os perigos fisiológicos dessa temática e inibir contextos de uma gestação sem preparos, assim como a do filme “Juno”.