Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 11/09/2019

Brás Cubas, defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas “Memórias Póstumas” que não teria filhos, a fim de nunca ter de esclarecer os legados das misérias humanas. Analogamente, a falta de informação para adolescentes, que intensifica o risco de gravidez precoce, e prejudica a vida dos jovens, enquadram-se no posicionamento da personagem, uma vez que se constituem como desafios a serem superados para mitigar a gravidez na adolescência em evidência no Brasil. Assim, é necessário discutir os aspectos sociais da questão, em prol do bem-estar social.

A priori, é evidente que a falta de informação intensifica a chance de uma gravidez indesejada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada mil adolescentes brasileiras entre 15 e 19 anos, 68,4 ficaram grávidas, índice bem alto quando comparado com países de elevados indicadores sociais, como os Estados Unidos e o Canadá, por exemplo. Nesse sentido, nota-se que a gestação precoce está relacionada com o nível de desenvolvimento de um país, pois, um estado desenvolvido dissemina a informação de maneira eficiente. Dessa forma, com o conhecimento adequado das possíveis causas e consequências de uma relação sexual, os adolescentes podem se prevenir para evitar uma gravidez indesejável e prejudicial tanto para eles, quanto para o feto.

A posteriori, é substancial discutir os efeitos físicos causados pela gestação na adolescência. Conforme relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), a mortalidade materna é umas das principais causas da morte de jovens entre 15 e 24 anos, e os riscos duplicam com gestantes de idade inferior a 15 anos. Dessa maneira, fica evidente a importância da disseminação de cada vez mais informações, pois, fora responsabilidade de um filho na adolescência, os riscos das gestantes nessa faixa etária são elevados.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática no Brasil. Para que a gravidez da adolescência pare de se tornar uma das principais causas de mortes entre os jovens, e para que a responsabilidade de um filho não venha tão cedo na vida, urge que o estado, especificamente o Ministério da Educação, desenvolva em escolas, aulas e palestras, mostrando aos jovens a importância do uso de métodos contraceptivos em relações sexuais. Dessa forma, o Brasil irá tornar-se mais justo e coeso, aproximando-se de uma legado que Brás Cubas se orgulharia em repassar.