Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 16/09/2019

O Cristianismo nasceu numa região conhecida como Palestina e se espalhou ainda no período de expansão do Império Romano. A doutrina cristã, atualmente, representa boa parte da população terrestre - sobretudo a brasileira - cujas orientações apresentam-se na Bíblia e trouxe diversos tabus, como o sexo. Com isso, surge a problemática da gravidez na adolescência no Brasil contemporâneo ligada à essa lógica retrógrada, seja pela lenta mudança da mentalidade social, seja pela falta de informação.

É indubitável que a sociedade sexualiza a mulher desde muito jovem. Durante a Idade Média, jovens mal saídas da infância, ao primeiro sinal da menarca, eram casadas com homens cuja idade girava em torno de 30 anos. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, essa é uma realidade não muito distante, uma vez que até o funk usa a banalização da sexualização precoce em suas músicas com a expressão “novinha” por exemplo. Desse modo, evidencia-se a necessidade e a urgência de atenuar tal questão dessa realidade machista.

Ademais, destaca-se a negligência estatal nas políticas públicas de informação e conscientização. Segundo Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Seguindo essa linha de pensamento, nota-se que uma das principais causas da gravidez precoce é a falta de informação e a dificuldade de comunicação, haja vista que tabus religiosos, sociais e culturais, que ainda prevalecem na sociedade brasileira, impedem que se discutam sobre métodos contraceptivos, sexo e sexualização, o que favorece a não adesão dessas proteções. Assim, seguem aumentando as taxas de gravidezes abaixo dos 18 anos de idade.

Entende-se, portanto, que a permanência do alto índice de gravidez na adolescência é fruto de uma realidade machista e ignorante. A fim de reduzir o problema, o Governo precisa quebrar laços com doutrinas religiosas e implementar no currículo escolar aulas sobre educação sexual, para que os jovens aprendam a necessidade de se proteger com camisinhas e anticoncepcionais e evitar gravidez numa idade tão precoce. Além disso, o Ministério da Saúde em parceria com as principais mídias digitais e emissoras de TV poderiam elaborar uma campanha, mostrando a realidade das meninas grávidas (dificuldades e desafios), e também debater sobre a importância da não sexualização infantil e, assim, proteger as “novinhas”.