Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 22/09/2019
A série “Sex Education” da plataforma Netflix traz à tona a importância da temática da educação sexual nas escolas. Além de pautar a grande necessidade de prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, há também o enfoque para prevenção da gravidez indesejada durante a adolescência. Essa situação ainda é recorrente ao redor do mundo, o que inclui o Brasil, ainda com todos os avanços das ciências e tecnologias, porém, não há como negar que, apesar de existir o acesso, a informação e os serviços ainda não são democratizados no país.
Em princípio, a causa principal vem a ser a nítida desigualdade social enfrentada pela sociedade brasileira. Isso porque, com a sociedade conservadora, há ainda grande dependência de certos temas serem inteiramente debatidos nas escolas, como é o caso do tabu referente ao sexo, que muitas vezes não é tratado no ambiente familiar. Assim, em famílias mais carentes, graças à grande dependência do poder público, a falta de acesso à educação, que apesar de ser garantida para todos na Constituição Federal não acontece na prática, pode gerar desconhecimento sobre como garantir uma prevenção eficaz.
Consequentemente, uma gravidez não planejada na adolescência reflete diretamente no mercado de trabalho. Visto que, ao engravidar, grande maioria das meninas não conseguem concluir sua graduação, ficam destinadas a subempregos, na necessidade de garantir a criação do filho. Além disso, na sociedade patriarcal machista que ainda predomina no Brasil, mulheres com filhos são encaradas de forma pejorativa por empregadores, o que pode ainda acarretar no desemprego. Dessa forma, essa linha contínua poderá chegar à criança, que, em certos casos, acaba sendo forçada ao trabalho infantil, por acabar não possuindo outra alternativa.
Logo, é inegável que, ainda que o Brasil viva uma democracia, as situações que ocorrem dentro do país não são democráticas. Então, o Ministério da Educação deve garantir o previsto na Constituição Federal e prever maior acesso à educação para todos, promovendo melhoria na infraestrutura e no corpo docente de unidades já existentes, bem como a criação de novas unidades em áreas mais carentes. Ademais, as escolas podem garantir a educação sexual através das aulas de ciências, em conjunto aos pais de alunos e em parceria com o Ministério da Saúde, promovendo contato mais direto dos jovens com alguém que trabalhe na área da saúde, a fim de aprenderem formas concretas de prevenção. Assim, as situações de “Sex education” poderão deixar de ser apenas parte de uma série para se tornarem um assunto presente no território brasileiro.