Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 17/09/2019

O livro ‘’Menina mãe’’, de Maria da Glória Cardia de Castro, conta a história de Salma, uma garota que aos doze anos engravidou e, por isso, é abandonada de casa. Do mesmo modo, essa é a realidade de muitas adolescentes brasileiras que acabam engravidando precocemente, devido à falta de orientação e informação concedidas aos jovens. O cenário é crítico, tendo em vista os riscos envolvidos e os impactos negativos na vida das mães, sendo necessária uma atuação governamental para reverter essa problemática.

Em primeiro lugar, cabe analisar a contribuição da falta de orientação sobre o uso de métodos contraceptivos para o problema. De acordo com o filósofo Kant, o indivíduo atinge a maioridade quando é capaz de tomar suas ações a partir da razão. Todavia, muitos pais se ausentam da responsabilidade de conversar sobre sexualidade com os filhos, visto que o assunto é considerado tabu até hoje. Nessa perspectiva, os jovens iniciam suas vidas sexuais sem ter consciência sobre os riscos de relações sem o uso de preservativos, tomando atitudes precipitadas que podem resultar na gravidez precoce e sem planejamento.

Ademais, os impactos negativos na vida das meninas que se tornam mães são significativos. Conforme a OMS considera, a gravidez na adolescência é, por si só, de risco. Além de o organismo dessas jovens não estar preparado para uma gestação, podendo resultar em aborto espontâneo, as condições socioeconômicas agravam ainda mais o quadro. Em muitos casos, a família não oferece apoio psicológico e nem financeiro e, assim, as adolescentes deixam de realizar o acompanhamento pré-natal essencial, prejudicando a gestação.

Fica evidente, portanto, que a gravidez na adolescência apresenta desdobramentos negativos aos envolvidos. Dessa forma, o Ministério da Educação deve garantir que todos os jovens tenham uma orientação adequada antes de começarem suas vidas sexuais. Isso deve ser feito por meio de programas que promovam palestras nas escolas, ministradas por médicos e psicólogos, que instruam os pais a como conversarem sobre sexualidade com os filhos, oferecendo dicas e conselhos para que o assunto deixe de ser tabu. Com essa medida, será possível que situações como a de Salma sejam evitadas.