Gravidez na adolescência em evidência no Brasil

Enviada em 19/09/2019

Florinda, personagem da obra naturalista “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, é uma adolescente que ficou grávida aos 15 anos, fato pelo qual gerou sua expulsão do aglomerado de residências, visto que a moça se dizia ser virgem. Fora da ficção, o livro vai ao encontro da sociedade contemporânea, uma vez que a gravidez precoce é um grave problema em evidência, sobretudo no Brasil. Sob esta ótica, é fundamental analisar como o tabu familiar e o inadequado modelo escolar causam a conjuntura e como combatê-la.

Inicialmente, é inquestionável que o tabu procedente do núcleo familiar é o principal responsável pela gravidez juvenil no país. Segundo o filósofo Michel Foucault, a comunidade tende a omitir assuntos os quais trazem certo desconforto, como o sexo. Exemplo disso é o dado divulgado pelo jornal Rede Minas, em que 7 a cada 10 “pré-adultos” tiveram nenhuma conversa com seus responsáveis acerca do sexo e contracepção. Destarte, o senso comum acredita que ao não abordar o delicado conteúdo com os adolescentes, livrarão-os de praticar o ato, inviabilizando, dessa forma, a gravidez, o que é totalmente ilógico, posto que, por conseguinte, tal supressão acaba agindo inversamente, possibilitando chances para uma gestação indesejável.

Outrossim, é válido salientar que o arcaico modelo escolar corrobora com o entrave. Isso ocorre porque o ensino, embora plural para diversas discussões, ainda é restrito no que tange ao âmbito sexual, dado que as aulas de doenças sexualmente transmissíveis são mais frequentes em detrimento dos cuidados sexuais preventivos. Prova disso é a nociva burocracia de tais aulas, em que as instituições de ensino exigem permissão aos pais para que os alunos possam participar delas. Lamentavelmente, a escola rompe com sua premissa de difundir conhecimento, à medida que negligência esse preocupante empecilho, o qual pende a se “ploriferar”.

Infere-se, portanto, a necessidade de líquidar os dilemas da gravidez na adolescência em evidência no Brasil. Diante de tal afronta, a fim de mitigar o tabu e promover o diálogo, é primordial que a mídia, aliada com o Ministério da Saúde (MS) crie programas com especialistas da área da saúde e psicologia, além de incluir as jovens mães e pais, discutindo a veracidade dessa questão, por meio dos veículos de comunicação em massa. Por fim, com o fito de que a escola cumpra sua função educadora e auxilie os alunos, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Humano, em parceira com o MS, implantar aulas que trabalhem a temática da educação sexual, focando na contracepção, por intermédio de uma reforma na grade curricular escolar, tanto da rede pública, quanto da rede privada. Só assim, a gravidez precoce será, finalmente, superada e casos como o de Florinda estarão restritos, apenas, ao plano literário.