Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 27/09/2019
Na obra literária “Cem anos de solidão”, escrita por Gabriel Garcia Marques, é retratado em alguns momentos o romance entre os jovens Aurélio e Remedios. Logo após se casarem, Remedios morre por ter uma gestação precoce e de risco. Fora da ficção, e no contexto atual, a gravidez na adolescência é considerada um problema de saúde publica, que traz consigo diversos entraves. Assim, esse panorama auxilia na análise da questão problemática, devido à lacuna familiar no que tange o diálogo sobre sexualidade e a falta de uma discussão mais ampla nas escolas.
A princípio, o sociólogo Michel Foucault, em seus estudos sobre a sexualidade, visou combater as ideologias discriminatórias referentes à repressão sexual, a fim de haver mais reflexões críticas e morais. Entretanto, mesmo com o passar dos anos, a ausência das discussões sobre esse ponto entre as famílias ainda é algo bastante comum e corriqueiro. Isso se dá em razão dos preconceitos ainda perpetuarem, deixando, muitas vezes, apenas a escola como responsável pelas transmissões de valores e conhecimentos. Por conseguinte, os jovens tendem a se sentirem receosos para discutirem determinados assuntos com os pais, resultando no aumento do número de DST’s e a própria gravidez precoce.
Ademais, outro problema está na dificuldade de inserir no ambiente escolar a educação sexual como grade obrigatória, tendo em vista que a opressão devido o patriarcalismo histórico, crenças e conceitos religiosos sempre foram constantes, dificultando a ação dos professores nas salas de aula. Com a falta de orientações mais amplas para ambos os sexos, os reflexos da gravidez na vida das jovens podem ser vistos de diversas formas e por um longo período. Exemplo disso está nas evasões escolares, o abandono parental ou familiar, conflitos psicológicos, que afetam, assim, o desenvolvimento educacional e, consequentemente, havendo para tais menores chances no mercado de trabalho.
Infere-se, portanto, que para amenizar o impasse, é de fundamental importância que o Ministério da Saúde com o apoio dos órgãos escolares, promova debates públicos e nos ambientes estudantis, viabilizando a problemática e as formas de prevenção, por meio da ajuda de profissionais da área da saúde, psicólogos e professores, a fim de mostrar a importância do diálogo entre pais e filhos, e evitar a exposição dos jovens a riscos de saúde. Somado a isso, é essencial também, que o Ministério da Educação insista na sugestão de renovação pedagógica ao poder público, direcionada à educação sexual, para que haja orientações adequadas e uma visão emponderada desses indivíduos para lidar com a sexualidade de forma responsável. Assim, os números de casos relacionados a essa série de problemas podem vir a ser reduzidos, favorecendo o desenvolvimento do país.