Gravidez na adolescência em evidência no Brasil
Enviada em 24/09/2019
O documentário “Meninas: gravidez na adolescência” do ano de 2005 narra o cotidiano de quatro jovens, Luana, Evellyn, Joice e Edilene, moradoras da periferia do Rio de Janeiro que enfrentaram as dificuldades e os impactos de uma gravidez precoce. Passado mais de uma década da publicação dessa obra, os problemas relacionados à maternidade de meninas menores de 18 anos continua a ser um desafio para sociedade brasileira. Dessa forma, faz-se necessário debate sobre as causas e as consequências desse impasse.
Inicialmente, é importante ressaltar que o Brasil possui um alto índice de gestantes jovens, sendo a falta de conhecimento sobre a sexualidade e métodos contraceptivos contribuintes para esse aumento exacerbado. Em consonância com os dados do Ministério da Saúde, o país apresenta 400 mil casos de meninas grávidas anualmente. Embora, os métodos preventivos sejam disponibilizados pela rede pública, existe situações nas quais esses suprimentos estão em falta, seja por não fornecimento ou por uma demanda de consumo superior ao que o governo disponibiliza, observou-se essa falha de acesso no relato de Luana, participante do documentário. Ademas, o assunto sexualidade é tratado como um tabu pela sociedade, devido ao conservadorismo de muitas famílias, que evitam debates e a conscientização dos jovens. Logo, a ineficácia de amparo do estado e a imperícia dos parentes para lidar com o assunto corroboram com a situação.
Outrossim, é relevante considerar as repercussões decorrentes da gestação na vida dessas meninas, principalmente a evasão escolar. De acordo com a Associação Médica Brasileira, aproximadamente 85% dessas moças abandonam a escola a partir do terceiro trimestre gestacional. Isso ocorre devido às novas demandas impostas à inexperiente menina que se transformou mãe prematuramente, atarefadas com os planejamentos do parto e após com as necessidades do recém-nascido, elas param de frequentar as aulas. Dessa forma, essa atitude tem impacto a longo prazo nas oportunidades de completar o ciclo educacional e se incorporar ao mercado de trabalho, como resultado encontram-se mais vulneráveis e expostas a reproduzir padrões de pobreza e exclusão social.
Em suma, com o intuito de reduzir as ocorrências de gestação precoce no país, cabe ao Ministério da Saúde informar os jovens sobre os seus riscos, consequências e como se prevenir, por meio de campanhas educativas, nas escolas e centros comunitários, com equipes de saúde treinadas para desmistificar o assunto para pais e filhos, de maneira prudente e harmoniosa, preparando-os assim pra iniciar a vida sexual com segurança e também para evitar uma gravidez indesejada, a fim de proporcionar opções de escolhas visando o bem-estar de todos.